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Aqueles que chamam a Idade Média de idade das trevas são aqueles que detestam a luz. São as corujas da história que falam mal da Idade Média“. – Professor Orlando Fedeli, presidente da Associação Montfort, entre risos, direto do YouTube, ou seria PorcoTube?

A frase é ótima! Melhor ainda foi ouvi-la de um bem-humorado Prof. Orlando Fedeli provando estarem errados todos os “missivistas” que acreditam endereçar suas questões e provocações a um senhor mal-humorado.

Josef Pieper, inspirado no aquinate, o aquinate da Tradição, afirma:

Não somos Deus, nem ‘como Deus’. É aí que se começa a mostrar a oculta conexão que enlaça a virtude da humildade com o dom – talvez também cristão – do bom humor”. – Josef Pieper, lembrando que o bom humor é sempre uma boa defesa contra radicalismos tolos.

O bom humor, é verdade, faz bem à alma. Mas e o YouTube, o site de vídeos da internet, que bem faz à alma?

Convém expormos, num breve parêntese, mais essa aberração da modernidade transviada, para cujo fim nos serviremos do interessante artigo do jornal Washington Post que, ousaríamos dizer de modo providencial, o jornal O Estado de São Paulo publicou, justamente sobre esse assunto. Com a palavra, o sensato jornalista norte-americano que o escreveu:

“Podem chamá-la de exibicionet. Acontece que a internet desencadeou o maior surto de exibicionismo em massa da história humana… Temos blogs, sites de ‘relacionamento’ (MySpace.com, Facebook), YouTube [um site na internet que permite que seus usuários carreguem, assistam e compartilhem vídeos em formato digital com os mais variados tipos de imagens, inclusive pornográficas] e todos os seus rivais. Tudo nesses sites é um clamor por atenção: olhem para mim, escutem-me, riam comigo – ou de mim. Já não se trata de um comportamento limitado a alguns. O MySpace tem 56 milhões de ‘membros’ americanos [e o YouTube tem milhões de membros brasileiros]… Para os não-iniciados: o MySpace e o Facebook [e o YouTube] permitem a seus membros inserir páginas pessoais com fotos e textos [e vídeos]… O exibicionismo é hoje um grande negócio… O interessante do ponto de vista cultural e político é que sua [do YouTube e afins] popularidade contradiz a crença de que as pessoas receiam que a internet acabe violando seu direito à privacidade. Na realidade, milhões … estão alegremente abrindo mão de seu direito à privacidade – ou, pelo menos, comprometendo-o. Eles estão postando material pessoal e íntimo em locais onde milhares ou milhões podem vê-lo. Parte dessa extroversão não passa de autopromoção vulgar… Mas a exibicionet é mais que um instrumento de marketing. O mesmo impulso que leva pessoas a expor sua intimidade… ou participar de reality shows na TV… agora achou onde dar vazão em massa. O público-alvo do MySpace tem de 18 a 34 anos [ e já o público do YouTube não tem limite de idade, mesmo crianças podem acessar os vídeos]; muitas páginas [e vídeos] são orgulhosamente obscenas…” (Robert J. SAMUELSON, A Web of Exhibitionists, The Washington Post, Wednesday, September 20, 2006, page A25; trad. br.: Uma web de exibicionistas, O Estado de São Paulo, Sábado, 23 de setembro de 2006, Espaço Aberto, pág. A2, publicado na internet gratuita pelo site InterCidadania.org.br).

Em 2006 e início de 2007 a falta de pudor generalizada, que existe nesse YouTube, foi manchete de vários jornais. No Brasil, o matutino Folha de S. Paulo cobriu toda repercussão a respeito da ação que a modelo brasileira, Daniela Cicarelli, moveu contra o YouTube por conta de um vídeo que mostrava cenas tórridas entre Cicarelli e o namorado em uma praia espanhola.

Este site é bem merecedor do apelido “PorcoTube” com que já o apodaram.

Nada mais distante do proverbial “abuso que não tolhe o uso” do que esse YouTube, estrutura já projetada para impulsionar a corrupção – uma verdadeira ocasião de pecado como que institucionalizada e permanente! –, que, longe da neutralidade que faz o valor da coisa depender do emprego que dela se faz, parece padecer, pelo contrário, de defeito de forma insanável, sendo manifesta, a quem tenha olhos para ver, a profunda malícia que esteve presente nesse “serviço” desde sua própria concepção. Um antro.

Como se vê, um lugar bem pouco apropriado para Católicos, para dizer o mínimo! :)

Talvez nunca tenha sido tão atual, como nesses tempos pós-conciliares de YouTubes, PorcoTubes e “tradicionalistas” bi-pesos-e-bi-medidas, aquela constatação do Rei Salomão:

“Vaidade das vaidades, e é tudo vaidade” (Eclesiastes I,2).

-.-.-.-.-.-.-

Texto adaptado do blog do Felipe Coelho.

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