
Me julguem: eu vou às livrarias e tiro fotos das capas de livros que gosto, das fotos de revista que gosto e das matérias que me chamam atenção em publicações que não vou comprar. Isso é pirataria? Bom, acreditem, é o menor dos meus crimes. Mas essa parte deixa pra quando eu virar um ícone qualquer. Os crimes ficam sempre melhor nas histórias dos ícones! Prometo não decepcioná-los.
Ao que interessa! Comprei a revista Crescer, da editora Globo. Sim, essa eu comprei! Até porque iria falar mal – como vou fazer em instantes -, então achei por bem garantir minha idoneidade ao menos para esse fim. Na verdade eu não sabia que iria ter motivos para fala mal da revista. Inclusive eu comprei a edição de abril por causa do susto que levei. “Que máximo! Uma revista da editora Globo que foge dos valores editorais tipo vamos destruir as famílias agora mesmo!!” Sim. Eu já conhecia Crescer e devo ser honesto: é maravilhosa EM PARTE.
Uma revista que sabe contar histórias e noticiar ao mesmo tempo sobre o universo tão incial da vida familiar. Eu diria que Crescer é a Superinteressante dos menos egocêntricos e narcisistas nesses dias que ainda pensam em ter uma família e querem aprender o que puderem para fazer isso da melhor forma possível. Sem falar da diagramação e do que eu chamo “jogos de comunicação” – quero descobrir se alguém já escreveu sobre isso! -, e etc. Eu curto Crescer – falo isso com a autoridade de quem já leu quatro edições e só.
Vamos lá à parte crítica. Foi a chamada de capa “Meninos e Meninas – Faz diferença na hora de educar? A resposta é sim! Descubra por que é preciso criá-los de formas diferentes para terem oportunidades iguais! E saiba como fazer isso em sua casa” que me enloqueceu e me fez pensar que a revista tinha, enfim, abondonado o flerte contravalores que faz parte de toda linha editorial da Globo – e de todas as grandes editoras do país, sejamos realistas.
Fiquei tão feliz! Crescer falando NA CAPA que meninos devem ser educados como meninos e meninas como meninas. Uau! E toda ideologia de gênero a que recorrem os comunicadores dessa editora? E toda cultura de contra-valores? E etc, etc, etc? Meu Deus, eu quero trabalhar nessa revista! Sim, sou um idiota. Desculpem-me antecipar o meu segredo.
Revista comprada, hora do susto. Quis saber se não dá PROCON isso! Por que, não é possível! A capa prometia uma coisa completamente diferente e a matéria em si traz tudo o que eu já esperaria da Crescer caso ela não tivesse *mentido* pra mim antes da compra. Toda matéria fazendo uma propaganda descarada da ideologia de gênero, avisando aos pais que menino se vestir de menina e vice-versa é algo muito bom e defensável se essa for a onda da criança.
Houve um desfile interminável de fontes as mais “especializadas” ridicularizando os “estereótipos” masculinos e femininos, mostrando como são homofóbicos e preonceituosos os casais que criam seus filhos trancafiando meninos no universo masculino e meninas no universo feminino. Céus! Quantos hospícios intelectuais mantidos com dinheiro público… Gente que estuda com nosso dinheiro para abrir a boca e dizer ao jornalista que o grande lance é “transitar” entre esses universos e que impedir um menino de brincar de boneca é ensiná-lo que tudo que é feminino é inferior.
Como assim o fato de eu não me vestir de mulher demonstra como eu considero o que seja referência ao universo feminino como algo inferior? Então as mulheres se sentiriam mais livres, felizes e menos oprimidas se os homens usassem batom, saias, calcinhas? Me desculpe, mas uma revista que ouve – e endossa – um intelectual desses não pode ser levada muito a sério.
Eu me preocupo… Sempre que vou a uma grande livraria saio transtornado. Está tudo tomado. Todas as linhas editoriais são, na verdade, uma só. Pode falar de carro, de beleza, de animal, de viagens e especialmente de notícias… Qualquer revista que você lê das grandes editoras vai falar como preconceituosos são os seus leitores cristãos.
Mas Crescer foi muito ordinária. Colocar na capa uma coisa e falar de outra completamente o avesso deveria ser crime de malcaratismo, na minha opinião.
Lamentável. Não vou escrever à revista, nem promover um mega boicote aos patrocinadores, ou qualquer coisa do tipo – e não, não espero trabalhar lá, risos. Me contento em contar da minha angústia sincera para que você saiba que isso é possível, que mais pessoas sabem, como você, que estamos sendo ameaçados por um monte de malucos.
Minha angústia: ver nossa cultura e tudo o que somos ser desconstruída assim tão escrachadamente ao ponto de termos que ser ensinados a ser gente transitável, fronteiriça, humanos nem masculinos nem femininos – e se optarmos, nem mesmo humanos.
Fico me perguntando se os jornalistas de Crescer leram sobre depoimentos de pais que viram seus filhos cometerem suicídio depois de se descobrirem meras experiências “fronteiriças e de transição”, experimentos de “gênero”. Meninos criados como meninas e meninas como meninos, experimentos criminosos! Não houve uma linha sequer na revista sobre isso. Só mencionam a frustração de um casal que teve que interromper a “brincadeira” de criar o filho como “menine” – nem menino, nem menina, muito pelo contrário -, quando ele completou 5 anos e entrou na escola…
Enfim. Construir a cultura da vida vai custar muito a cada um de nós ainda.