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Arquivo da categoria ‘Poemas’

Sobreamar

Quando tu me fitavas,
Teus olhos sua graça me infundiam;
E assim me sobreamavas
E nisso mereciam
Meus olhos adorar o que em ti viam.

Não queiras desprezar-me,
porque, se cor trigueira em mim achaste,
já podes ver-me agora,
pois, desde que me olhaste,
a graça e a formosura em mim deixaste.
(Cântico Espiritual – São João da Cruz)

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Tudo para

Publicizar a dor, que ridículo é. Deixá-la à vista, esparramada, sonora. Revelá-la a ouvidos próximos como a contar um segredo pesaroso! Pressioná-la aos teclados, à pauta azul do papel, às paredes de tinta plástica que sequer umedecem frente ao mais sincero pranto… Extremá-la. Segurar o fio fino da dor amarrado ao coração e arrastá-la na calçada, no asfalto, por entre os carros e as gentes. Contrariá-la com obrigações profissionais, preceitos religiosos, convites sociais e ainda assim encher o sorriso dela, e mãos e toda técnica. Deitar-se na dor. Cobri-la de lencóis. Segurá-la ao peito e inquietar-se de um lado ao outro na tentativa frustrada de acomodá-la… Que remédio? Que se deixe anunciar. Que se pronuncie. Que minta algum controle e até alegria vil. Que se solte, agitada, veloz a paralisar todas as coisas: o gosto do belo, as vontades natural de riso, o olhar crítico, o viço da pele, o importar-se por qualquer outra coisa que não a própria dor, ainda quando se disfarça ao volver o corpo, atendendo muda, ao ser chamada pelo nome. E para. Tudo para.

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Milhas

Floquinhos de algodão misturam-se no azul do céu
Folhas verdes, árvores, pássaros, montes.
Tudo mostra quão bonito é o que Deus criou
Tudo mostra quão bonito é o que Deus criou
Você também faz parte dessa criação,
como obra bela, obra prima, que Deus, o bom Deus, me deu,
meu grãozinho de ouro, meu grãozinho de ouro. “

Ir. Kelly Patrícia, Grãozinho de Ouro

As tempestades em mim já não têm beijos para acalmá-las. É que só tu podes fazê-lo e vais ao longe com o sorriso que liberta meus bons pensamentos e enche de chamas uma vida inteira.

Eu fico. E ficar dói, conto ao mar sobre meus pés saudosos dos teus a cobri-los. Dói e disso sabem as estradas por onde passo sem ti! Se pergunta-me qualquer coisa o volante umedecido, que direi sem constranger-me?

Ah! Sentirão falta as estrelas a fitarem outros amores no portão. “Onde estão?” A doze horas de saudades, eu sussurro ao céu, ansioso por trocar algumas milhas por amor.

E fico sem teus verdes luzeiros e longe do perfume suave dos teus dedos a procurar os ombros meus, delicadamente. Ficam saudades de ti… Tu que sabes quem sou e mesmo assim insiste em oportunizar-me meus melhores dias.

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Chama de amor viva

Chama de Amor Viva
Ó chama de amor viva,
que ternamente feres
dessa minha alma o mais profundo centro!
Se já não és esquiva,
acaba já, se queres,
ah! Rompe a tela desse doce encontro!

Ó cautério suave!,
ó regalada chaga!,
ó mão tão leve, ó toque delicado!,
que a vida eterna sabe,
a dívida selada!
Matando, a morte em vida transformada.

Ó lâmpadas de fogo,
em cujos resplendores
as profundas cavernas do sentido,
que estava escuro e cego,
com estranhos primores
calor e luz dão juntos ao seu Querido!

Quão manso e amoroso
despertas em meu seio,
lá onde tu secretamente moras,
nesse aspirar gostoso
de bem e glória cheio,
quão delicadamente me enamoras!

São João da Cruz

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JS2010


“Iluminar, iluminar sempre…


iluminar tudo…


iluminar todos…


apenas iluminuar…


esse é o meu lema, e o do Sol.” – Vladimir Mayakovsky.

***

“Não há outra questão”. Obrigado pela companhia!

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Amor Bastante

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante…

basta um instante
e você tem amor bastante.

(Paulo Leminski)

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Dois

Dois e dois: quatro

Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

– sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena.

(Ferreira Gullar)

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Canção do Tamoio


Um tamoio perdido nos Lençóis: 2010, que bom que você veio!

I

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

II

Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III

O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV

Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!

V

E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

VI

Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D’imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d’ouvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.

VII

E a mão nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!

VIII

Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.

IX

E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.

X

As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

***
Poema de Gonçalves Dias

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Por su bandera

En mi alma hay una llama
que la quema por entera.
El amor es que me llama
A morir por tu bandera
¡Es mi Deus El que me llama
A morir por su bandera!

Si la Iglesia verdadera,
la mi vida me pidiera,
yo mil vidas yo las diera
por la Iglesia y su bandera.
Diez mil vidas yo las diera,
por guardar la Fe entera.

Ah gran Dios, yo bien quisiera
Que mi alma antorcha fuera,
que otras almas encendiera,
´n el amor por tu bandera.
Que en mi alma siempre ardiera
El amor por tu bandera

Y la gloria derradera
Por la cual yo bien muriera,
Dar mi sangre roja e fiera
Por mi Dios y su bandera.
Con mi sangre roja e fiera
Hacer roja su bandera.
Orlando Fedeli,
in Homenagem ao Padre Francisco Vera

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Uslírios iaisleis

“As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas
e me revolto.
Tenho palavras em mim
buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir
“.
- Nosso Tempo, Carlos Drummond de Andrade.

***
Au, au, auiu! Pro que de copiei e colei. Que dou um aulô aqui, tá? TchAU!

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