Este domingo os franceses – da Manifestação para Todos – saíram novamente às ruas para demonstrar que não apóiam que a união entre pessoas do mesmo sexo seja considerada casamento. Há fotos e relatos sobre as manifestações no Facebook do movimento: https://www.facebook.com/LaManifPourTous
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La Manif Pour Tous
Publicado em Família, tagged la manif pour tous em maio 5, 2013 | Deixar um comentário »
Logística do bebê (2)
Publicado em Família, tagged nomes de bebês em abril 26, 2013 | 2 Comentários »
Wagner é um nome proibido em Portugal! Qual foi minha surpresa… Eu sabia que há uma lei que proíbe o uso de alguns nomes próprios por lá. Mas eu não sabia que Wagner estava entre os mais de 2.500 nomes “não admitidos” na lista do Instituto dos Registos e Notariados.
Qual o motivo? Talvez porque Wagner seja alemão (quer dizer carregador de vagões) e a lei portuguesa queira defender a lusofonia, evitando que ela se perca por entre nomes estrangeiros que não dizem respeito a Portugal. É justo. Mas com o novo acordo ortográfico, com a chegada do W ao alfabeto português… Como ficará isso? Estará Wagner presente nos cartórios portugueses? Me apeteceria, opá!
O assunto é nome, nome para o bebê. Se for menina, escolhi Melissa. A mamãe não estava muito confortável… Mas admitiu a possibilidade. Será Melissa (quer dizer abelha, como Debora também quer dizer). E no colinho do papai será Mel. Melzinha. E ganhará um livro: Melicário… Com todos os poemas curtinhos que couberem nele.
Mas se for menino? Eu pensei Marcelo. “Boa noite, Mel… O papai ama você! Boa noite Celo… O papai ama você!” Mas o Instituto de Registos e Notariados que atende por minha esposa vetou o nome, para meu completo desespero. Que fazer? Minha segunda opção: Tiago. Vetado. Minha opção não declarada – sei que vão rir ou torcer o nariz, mas eu gosto: Abel.
Ela quer João. Eu gosto. É um nome forte, mas é humilde também. É tradicional, mas é atual também. É um nome bom de gritar pela casa: Joãããããooooo (leia-se: Juãããuuuuu)!!! Um nome bom de falar baixinho: João… Joãozim… Jão… Acorda, vai…
É um nome bíblico. E até combina com Melissa. “João e Melissa”. Porque vai ter uma Melissa… Seja agora, seja depois, seja bem depois. Ela virá. Eu acho que vai ser agora…
Pesquisei e achei: um ótimo blog sobre nomes portugueses! Sugestivo: http://nomesportugueses.blogspot.com.br
Tem uma lista de nomes compostos atualizada por lá. Também um registro dos nomes brasileiros mais populares – segundo o blog. E vale muito conferir a lista de nomes masculinos bíblicos.
Por curiosidade… Os nomes que os brasileiros mais escolheram para registrar seus filhos, em 2012, foram: Miguel e Sophia, de acordo com o Baby Center Brasil (que também registrou a aparição de “Davi Lucca” na lista – é o nome do filho do Neymar). O site tem muita dica importante para papais e mamães de primeira viagem e, especialmente, um monte de nome para bebê – veja só os nomes da moda.
Dia 10 de maio estamos apostando que seremos informados sobre o sexo do neném. Vamos aguardar. Estou ansioso para saber!
Manifestação para Todos!
Publicado em Família, tagged casamento gay em abril 24, 2013 | Deixar um comentário »
“E tu, o que preferes? Um carrinho de bebê ou de supermercado? Todos nascemos de um homem e de uma mulher!” Cartaz do movimento Manifestação para Todos mostra o futuro da espécie humana no mundo pós-casamento gay: a reprodução como bem de consumo.
Nos dias 5 e 26 de maio uma multidão sairá novamente às ruas de Paris para protestar contra a não diferenciação sexual que extingue diferenças entre homens e mulheres; para exigir respeito pelos direitos de pais e mães serem pais e mães e não meramente “genitor 1 e genitor 2″ ou ainda qualquer outro nome genérico que não defina a natureza da família; contra, enfim, uma nova ordem antropológica que define o ser humano meramente por suas preferências sexuais.
Sim, trata-se do movimento contra o “casamento para todos”, como ficou conhecida a iniciativa pelo casamento gay na França. No Brasil o termo é “casamento igualitário” (sim, já faz um tempinho que o movimento gay não fala de casamento gay, mas de casamento igualitário… Que tem um apelo melhor e engana mais, obviamente).
Na França o movimento pela família chama-se “Manifestação para Todos” (na verdade, o principal movimento pela família uma vez que há muitos outros). Para quem quiser procurar mais sobre ele no Google, o termo é “La Manif Pour Tous“.
Eu confesso: a única coisa que sabia sobre as manifestações “contra o casamento gay” na França é que elas reuniam multidões. Sempre associei as manifestações com marchas! E me enganei. Não é só isso. Na verdade existem várias manifestações pela família por lá! A mais curiosa que vi foi a dos Hommen (uma brincadeira com o movimento Femen, de mulheres com mais tetas que argumentos).
O movimento reúne grupos de homens jovens, mascarados e sem camisa, em protestos pelos direitos das crianças de terem um pai e uma mãe. O lema deles: “Crianças e mulheres primeiro!” Eles interromperam o trânsito francês e pararam um trem no qual viajava uma ativista “pró-casamento-para-todos”. Mas não usam de violência.
Por lá há também movimento de gays contra o tal casamento gay. Mas o bacana mesmo é o Manifestação para Todos comandado pela comediante Frigide Barjot. Eles adotaram o rosa como cor simbólica (e o azul também, porém usam mais o rosa!) e são os responsáveis por aquela camisa com a silhueta de um pai, uma mãe e um casal de filhos.
Enfim! Há muita coisa interessante para aprender com os movimentos franceses! Em especial que esta luta pela própria liberdade humana não diz respeito de modo algum somente a pessoas religiosas. Toda existência humana será atingida pela nova antropologia.
Não se trata meramente de oposição à união de pessoas homossexuais. Mas uma luta contra a redefinição do que seja o humano.
Logística do bebê (1)
Publicado em Família, tagged música para bebês, Vivaldi em abril 7, 2013 | 1 Comentário »
Então estamos na busca de muitas informações práticas sobre esse tema bem bacana!
Já, já, estaremos no segundo mês e uma coisa que colocamos na cabeça é que o bebê vai ouvir muita música – embora, segundo li, ele só poderá ouvir mesmo a partir da 21ª semana gestacional.
Bom, eu encontrei um site bacana só sobre essa questão de música para o bebê no ventre (ele ouve e memoriza, mas que bacana!): http://bebedofuturo.mus.br/audicao-do-feto/
O site é bem legal e traz dicas sobre a comunicação pré-natal: o bebê no ventre ouve especialmente a voz cantada. Mas vale – bastante! – colocar o neném pra ouvir os clássicos de Vivaldi e Mozart, compositores preferidos dos nenéns. Há um site com todas as peças deles. As do Vivaldi, pelo que li, são as mais recomendadas e estão aqui para ouvir e para download (até 8 downloads por dia).
Outra coisa que é a curiosidade de muita gente (a minha curiosidade, inclusive): quanto se gasta com o neném no primeiro ano de vida. A resposta é simples: quanto couber no orçamento! Óbvio. MAS, segundo os empresários do ramo de coisas de bebê, em média tem-se um gasto anual de R$5.000 entre enxoval e móveis. Li sobre isso no Pequenas Empresas e Grandes Negócios.
Já nos falaram sobre compras em Miami. Realmente há o que comprar: enxoval, berço, a bolsa de sair, trocador, colchão, o bebê conforto e o carrinho… Dei uma olhada em blogs de quem já fez a experiência em Miami e quando li sobre as coisas que compraram ou encomendaram, não achei tão barato assim… Dá para encontrar bons produtos por aqui mesmo e bem mais em conta. Mas um blog legal que vi sobre o assunto é este aqui: http://www.macetesdemae.com/2013/02/enxoval-de-bebe-em-miami-dicas-para.html
Acho engraçado que a maioria dos sites sobre o tema foca sempre nas mães. Mas é fato que a mãe não tem como, sozinha, resolver tudo e pensar em tanta coisa para o bebê que vem aí! Temos que pensar juntos.
E nem tudo tem a ver com coisas de bebê propriamente. Por exemplo, nossa primeira aquisição oficial por causa do neném foi um aspirador de pó! =D Primeiro que somos dois alérgicos… Eu bem mais, inclusive. Daí usar vassoura no apartamento não dá certo, me convenci. Vassoura só espalha a poeira. Compramos este aqui que não precisa de saco para colocar a poeira. Não faz muito barulho: usei no sábado pela noite e no domingo pela manhã e nenhum vizinho reclamou – no condomínio não se permite barulho de equipamento depois de 12h de sábado… É mole?
É isso. Estamos – eu principalmente – descobrindo como é que funciona essa logística do bebê! Parece que todo mundo vai dizer como é, mas não é bem assim – como tudo na vida, aliás. Existe todo um código de ética de não se meter na vida do novo casal, já percebi. O que é legal algumas vezes, mas em outras vezes não é tão bom porque os mais experientes esperam que você faça as perguntas para eles, só que você – se você for como eu… – não sabe direito que perguntas são essas! =D
E este é meu post de domingo! É um blog pessoal. Não poderia ser diferente, não é mesmo?
Viva a diferença!
Publicado em Família em abril 6, 2013 | Deixar um comentário »
Marco Feliciano, PT, Direitos Humanos, sucintamente….
Publicado em Família, tagged comissão direitos humanos, marcos feliciano em março 10, 2013 | 2 Comentários »
Desde a primeira hora eu queria falar alguma coisa por aqui sobre a eleição do pastor Marco Feliciano para presidir a comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Vamos lá, então, sucintamente porque falar muito está saindo cada vez mais caro:
1) Não. Marco Feliciano não é um bom nome para a Comissão! Ele fez campanha para Dilma Rousseff e se submeteu à vergonhosa missão de ludibriar cristãos avisando-os que nada de mais haveria com a eleição de Dilma (e que ela é uma mulher que luta pela vida, apesar de ser pró-aborto, e etc, não precisamos recordar, vocês sabem…). O vídeo acima registra isso.
2) Apesar disso é melhor um Marco Feliciano na Comissão que pelo menos evite aprovar a mordaça gay (o projeto de lei que quer criminalizar opinião contrária ao comportamento homossexual) e coisas do gênero, que permitir alguém ligado ao ex-BBB, para quem “o Papa é um genocida em potencial”… Perto de Jean Wyllys, qualquer um é muito melhor para garantir Direitos Humanos neste país, até mesmo Marco Feliciano.
3) Não adianta. A grande maioria dos nossos políticos não nos representa, ainda. A democracia, no Brasil, tem muito o que se desenvolver… Mas, certamente, é a melhor que podemos ter em se tratando de América Latina – sempre a mercê de projetos pessoais/ideológicos alheios à nossa cultura cristã. Por mais que me digam que nos outros países deste continente a população é mais informada e reage melhor a tudo isso, convenhamos: não teremos um Chavez no Brasil. Lula é um oportunista. Ponto.
4) Em resumo: com Marco Feliciano na presidência da Comissão espero que os projetos em defesa da vida possam avançar. E mais: espero que o próprio PT se livre dos extremistas de esquerda por nós, se isso for possível.
5) Vamos entender de uma vez por todas que a questão não é, meramente, ser contra como uma pessoa se relaciona sexualmente com outra. Mas o fato público de que estão transformando uma questão sexual em agenda cultural, ideológico, política para arruinar de uma vez por todas nossa sociedade que é, goste-se ou não, de tradição cristã. Não adianta: há ideologias, e a ideologia de gênero que sustenta o movimento homossexual é um exemplo, há ideologias que são publicamente contrárias a liberdade da fé cristã. Infelizmente isso não é teoria da conspiração, está aí em andamento. O projeto de lei dito “anti-homofobia” é exatamente uma demonstração dessa censura aos valores cristãos.
“O Estado não deve organizar a sociedade!”
Publicado em Família em setembro 3, 2012 | Deixar um comentário »
Ouça a entrevista do Prof. Carlos Ramalhete à rádio CBN: http://www.cbncuritiba.com.br/site/texto/noticia/Entrevista/7931
O colunista de Gazeta do Povo explica que cabe ao Estado reconhecer a forma como a sociedade se organiza, reconhecer os valores dessa sociedade e protegê-los. Não é o Estado que tem que dizer como a sociedade deve ser! Não em um sistema diferente do totalitarismo.
Apoio a liberdade de expressão e peço que você assine agora mesmo a petição para evitar que o colunista seja censurado por movimentos totalitários organizados sejam eles compostos por quem for: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=Ramalhet
Felipe Faleiros
Publicado em Família em agosto 16, 2012 | Deixar um comentário »
Passou no Fantástico, mas não achei o vídeo do programa no Youtube. No entanto coloco aí o vídeo que achei, do SBT de Minas Gerais. Bem interessante: o pai do menino Felipe Faleiros inventou uma bota especial para que o filho pudesse jogar futebol mesmo tento paralisia. Um gesto muito bonito.
Mas, afinal, o que pensar sobre o Carnaval?
Publicado em Família em fevereiro 18, 2012 | 3 Comentários »
É claro que ninguém deve ir a um desfile de mulheres semi-nuas em danças lúbricas; o que é falso é que todas as festas de carnaval sejam exclusivamente compostas de mulheres semi-nuas dançando lascivamente. É evidente que algumas pessoas têm uma propensão maior ao pecado contra a castidade quando estão em uma multidão: o que é falso é que multidões provoquem indistintamente esta tentação em todas as pessoas. Se algo é ou não é ocasião de pecado, isto é assunto que deve ser avaliado criteriosamente por cada qual diante da sua consciência (e do seu diretor espiritual). O que não dá é para passar uma régua e dizer que tudo é a mesma coisa para todo mundo.” – Jorge Ferraz, Sobre o Carnaval I: o pecado e a ocasião
O catolicismo é meu parâmetro de realidade. E isso me faz muito bem, devo admitir! A realidade nos permite sermos lentos para a cólera! Lentos para presumir, lentos para padronizar comportamentos, lentos para definir públicos-alvo do céu e do inferno. É, provavelmente, a cura para a “marketização” do pensamento religioso, um estado que torna a evangelização um “conquiste mais um”.
Para essa evangelização o carnaval é, sem dúvidas, a estação das promoções, tanto no sentido de promover alguém de cargo, quanto no sentido de “baratear” tudo em nome de uma causa! Não quero com isso culpar alguém. Sei que as pessoas têm as melhores intenções. Sei como trabalham duro para aproveitar este período e evangelizar. Tanto esforço e boa vontade, infelizmente, não mudam as coisas: é um tempo crítico de falta de orientação.
Não me apresento como o mais orientado. Mas acho que há algum nível de orientação em identificar o carnaval como um período de diversão, de fantasia, de festa, embora seja verdadeiro que uma maioria transforme essa oportunidade em momento de orgia sexual e espiritual. E por esses devemos, sem dúvida, oferecer nossas orações! Por outro lado, também devemos rezar pelos que rezam contra a alegria em nome do que queiram acreditar ser “alegria espiritual” (e desculpe, a alegria espiritual não tem nada a ver com matinê, baile infantil de carnaval), pelos que vestiram a fantasia do paganismo (ou para sermos politicamente corretos: a fantasia das religiões místicas).
O pagão, é bom lembrar, era um religioso também. E não há muito catolicismo na religiosidade de quem acredita ser o carnaval um período de experiência mística que elevará o seu grau de catolicismo, como se fôssemos capazes de sozinhos crermos – nós só podemos crer com a Igreja! -, como se fé fosse um esforço interior de conexão consigo e o além. No cristianismo, fé é dom e não exige experiência mística para certificar sua autenticidade, ou qualquer outro esforço que não o da vontade de receber o dom, de estar aberto à graça de Deus.
Mas eu concordo que essas são palavras de alguém que neste ano nem estará “retirado”, sequer rezando como deveria por todos os que necessitam. Infelizmente se for esperar algum status espiritual mais confortável para que possa dizer os meus pensamentos, eu jamais os registraria. Então, ei-los aí.
A possibilidade que nos é oferecida pela Igreja: a realidade transformada pelo Cristo, na qual a alegria e fé não se separam do amor. E sem o amor, não há virtude que seja sã; ou boa intenção que se aproveite.
Neste carnaval faça um churrascão, brinque com os amigos, relaxe. Mantenha-se vestido! E pelo menos antes de dormir reze pela conversão dos pecadores – por mim.
Por que o PL 122 é cada vez mais rejeitado?
Publicado em Família em dezembro 19, 2011 | Deixar um comentário »
por Anderson Machado Alves
No dia 8/12/2011, foi adiada a votação do PL 122, também conhecida como “lei da homofobia”, no Senado Federal brasileiro devido aos fortes debates ocorridos e também à forte oposição que essa vem sofrendo, não somente de grupos religiosos, mas inclusive dos chamados grupos LGBT, que não aceitam a inserção do terceiro artigo no texto original. De fato, parece que o motivo principal da rejeição dessa lei é o fato de que esse traz mais dúvidas do que certezas. Quem lê o texto debatido com atenção, sem se deixar levar pela emotividade, se pergunta se dito projeto de lei é realmente um ordenamento racional que promoverá o bem comum da sociedade brasileira.
Em concreto, o projeto prevê a punição de um a três anos de prisão para quem comete “crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero”, esclarecendo que o “termo sexo refere-se à distinção entre homens e mulheres; orientação sexual, à heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade; e identidade de gênero, à transexualidade e à travestilidade”. Sendo assim, é evidente que essa lei pode punir não somente “crimes” motivados por preconceitos para com os homossexuais, mas também para com os heterossexuais, homens ou mulheres. De modo que dita lei, de fato, não criminaliza a “homofobia”, mas sim alguns comportamentos que podem ser motivados por certos “preconceitos”.
Além disso, o PL 122 supõe dois princípios. Por um lado, que há grande diversidade entre os comportamentos sexuais no nosso país e, por outro, supõe que tal diversidade de fato não existe. Pois essa lei implica a ideia de que há uma imensa maioria heterossexual opressora da minoria homossexual no Brasil. Desse modo, o PL 122, assim como a Ideologia que o inspira, parte não somente de princípios diversos, mas também contraditórios.
Os artigos da lei enumeram, então, quais seriam os novos “crimes”, severamente punidos: “Deixar de contratar ou nomear alguém ou dificultar sua contratação ou nomeação, quando atendidas as qualificações exigidas para o posto de trabalho”; “conferir tratamento diferenciado ao empregado ou servidor” (art. 4); “recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento” (art. 5); “recusar ou impedir o acesso de alguém à repartição pública de qualquer natureza ou negar-lhe a prestação de serviço público” (art. 6). Desse modo, é compreensível que muitos se assustem com o fato de “uma pessoa não querer contratar alguém” ou “ tratar de modo diferenciado alguém no ambiente de trabalho” possa ser considerado um crime, punido com tanto tempo de prisão. Por isso o texto gera dúvidas quanto à proporcionalidade entre o “crime” cometido e a pena devida ao mesmo. Além disso, a ambiguidade do texto pode levar muitas pessoas a terem que responder criminalmente por atitudes que podem ser banais e ordinárias, que não leva implícito nenhum “preconceito”.
Por exemplo, o caso de um empregador querer contratar uma pessoa do mesmo sexo, por achar que esse tipo de serviço é mais adequado a um determinado sexo, pode ser considerado como uma ação criminal. Não há como não ver, então, uma verdadeira perda de liberdade para o empregador se essa lei for aprovada, assim como poderia provocar um medo constante da justiça entre o povo. Outra possibilidade seria o caso de alguém ser mal atendido num estabelecimento comercial, algo não tão raro de ocorrer. A partir da aprovação dessa lei, qualquer cliente poderia acusar de “crime” a qualquer comerciante, por motivos que podem ser irrelevantes ou que nada tenha a ver com “preconceitos”.
O problema prático da aplicação dessa lei parece ser o seguinte: quem acusar a outro de “crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero” não pode provar que o acusado tem uma diversa “orientação sexual” ou “identidade de gênero” do acusador. Num julgamento o acusado pode sempre se defender dizendo que não demitiu o outro ou que não atendeu um determinado cliente no modo devido a outros motivos, uma vez que ele possui a mesma “orientação sexual” ou “identidade de gênero” do acusador. Se a pessoa acusada fizer essa alegação, evidentemente o processo deveria ser encerrado, pois é ilógico que alguém seja considerado preconceituoso com quem tem o mesmo gênero de vida. Nesse caso, a acusação não poderia juridicamente provar a falsidade da alegação do acusado, simplesmente porque não possui instrumentos para fazê-lo. Na realidade, não há nenhum documento que identifica a “orientação sexual” ou “identidade de gênero” de cada brasileiro. E a pergunta pela “orientação sexual” ou a “identidade de gênero” de uma pessoa parece ferir a inviolabilidade da intimidade, garantido na Constituição Federal.
O problema que aqui aparece é que o Direito só pode julgar atos externos e não pode conhecer o que de fato uma pessoa pensa na sua intimidade. Ou seja, o Direito não pode provar que alguém agiu motivado por “preconceitos”, que são sempre juízos internos e essencialmente mutáveis.
O texto do sétimo artigo, que parece ser o mais racional do texto, condena os atos que possam “induzir alguém à prática de violência de qualquer natureza, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero”. Esse texto pode ser interpretado de modo muito diverso, principalmente a expressão “violência de qualquer natureza”. Pois para boa parte da filosofia contemporânea, alguém que diz algo com valor de “verdade”, comete já um ato de violência contra quem pensa de modo diverso. De forma que se essa lei fosse aprovada, os julgamentos passariam a depender da postura filosófica do juiz. Se esse considerar “ato que induz a prática da violência” simplesmente o “dizer algo com valor de verdade”, isso poderia levar à prisão não somente quem pregasse contra o homossexualismo nos seus cultos religiosos, mas sim a qualquer pessoa que expressasse uma opinião contrária a um comportamento sexual diverso do seu. Se isso ocorresse, se produziria uma efetiva limitação da liberdade de expressão e dita lei se tornaria a base de todo tipo de arbitrariedades.
De modo que a raiz verdadeira da rejeição dessa Lei pela população brasileira consiste na sua falta de racionalidade. Isso é visível nos princípios contraditórios que supõe; no fato de considerar “crime” situações que podem ser banais e nada injustas; no fato de querer exigir do Direito algo que esse não pode fazer: conhecer as intenções últimas de um agente. De forma que a aprovação da dita lei produziria males maiores à sociedade do que sua não promulgação. Males tais como a censura constante sobre o modo de pensar e de se expressar das pessoas, o medo permanente da justiça, a possível condenação à prisão de muitas pessoas por motivos irrelevantes. De modo que se espera que as autoridades competentes tenham em consideração o fato de que praticamente toda a população brasileira rejeita dito projeto de lei (homossexuais e heterossexuais; católicos, evangélicos e ateus; “homófobos” e “homomaníacos”), abandone definitivamente essa lei e outras semelhantes e se dediquem com coragem e inteligência à elaboração de leis que sejam efetivamente ordenamentos racionais que busquem o bem comum de toda a sociedade.















