Uruguaios em marcha, em Montevidéu, contra legalização do aborto não conseguiram impedir a lei assassina
Só em Cuba e na Guiana o aborto é legal sem restrições, na América Latina. Agora, infelizmente, o Uruguai, país em que o aborto era crime “em qualquer circunstância” (desde 1938) se rendeu ao lobby das organizações internacionais e, ontem, quarta-feira, o senado uruguaio aprovou de forma definitiva uma lei que “descriminaliza” o aborto durante as primeiras 12 semanas de gestação e sob certas condições, como noticiou o portal G1:
Se a mulher desejar prosseguir com o aborto mesmo assim, poderá realizá-lo imediatamente em centros públicos ou privados de saúde. Abortos que não sigam esses procedimentos continuarão sendo ilegais. Também é permitido o aborto em casos de riscos à saúde da mulher, de estupros ou de má-formação fetal que seja incompatível com a vida extrauterina, até 14 semanas de gestação.
O sucesso contra a hegemonia do país de 3,3 milhões de habitantes não aconteceu da noite para o dia. As organizações internacionais comprometidas com a redução populacional tentam desde 1978 aprovar o aborto no país! Foram 12 tentativas frustradas.
A última, em 2008, quando até mesmo um esquerdista como o presidente Tabaré Vazquez se opôs à legalização do aborto por ser médico e vetou o projeto de lei. O atual presidente, José Mujica, já anunciou que não vetará a descriminalização do aborto aprovada por 17 votos de 31 parlamentares.
Agora a questão: como as organizações internacionais conseguiram essa vitória após tantos anos? Entre outras coisas, certamente pela generalização do uso do abortivo Misoprostol incentivado pela política de “redução de danos” implantada pelo Ministério da Saúde Pública (MSP) do Uruguai com a Resolução 369, em agosto de 2004.
Veja bem! O aborto no Uruguai era crime em qualquer circunstância mesmo em 2004 quando a tal política de redução de danos começou a funcionar pra valer. Então como o próprio Governo promovia o aborto se era ilegal? Pois sim… É como estão querendo fazer no Brasil. Lá também vieram com essa de que “abortar é crime, mas orientar a gestante a fazer o aborto, não”. Assim a tal política de redução de danos permitia o tratamento pré e pós-aborto, mas o ato do aborto propriamente dito ficava numa espécie de “caixa negra”, oculto das discussões…
E nessa história o Misoprostrol foi a ferramenta principal mas não a única! A outra via, fundamental, foi a censura aos médicos pró-vida. Sim, pois é claro que os médicos sérios, mesmo quando conformados à tal política de redução de danos, iriam denunciar a mãe que deliberadamente estava provocando um aborto em si mesma.
O que fizeram? Articularam para que a Faculdade de Medicina, o Conselho Arbitral do Sindicato Médico do Uruguai e o Tribunal de Ética da Federação Médica do Interior emitiseem uma declaração conjunta afirmando que “o sigilo médico não é uma opção, mas uma obrigação para os médicos e a equipe de saúde”, acrescentando que “o médico é obrigado a não revelar e muito menos denunciar situações que possam
expor um/a paciente a um processo penal ou que lhe causem prejuízos de qualquer natureza”.
Pasme: essa mordaça com aparência de “ética médica” já existe no Brasil e foi publicada não por iniciativa de alguma Faculdade Médica, nem por iniciativa de um Sindicato Médico ou um Tribunal de Ética… No Brasil onde a Fundação Ford atende por nome de “Secretaria de Políticas para as Mulheres”, foi o próprio Governo que tomou a iniciativa de amordaçar seus médicos para evitar futuros problemas com a implantação da política de redução de danos.
Isso se deu por meio da “Norma técnica de atenção humanizada ao abortamento”, publicada pelo Ministério da Saúde em 2005. Pois sim… Os médicos brasileiros não podem denunciar crimes de aborto, sob pena de um processo civil, criminal e ético-profissional, assim o quer a tal norma técnica que apesar de não ser lei, costuma ser tratada como se assim o fosse. E olha que ainda nem estamos com a tal “política de redução de danos” tão avançada como já estava no Uruguai.
É importante sabermos dessas coisas para não ficarmos com aquela cara de “olha, legalizaram no Uruguai, são outros tempos mesmo!” Como se tudo acontecesse de forma voluntária. Como se de repente a população uruguaia tivesse chegado ao consenso de que, sim, é hora de legalizar o aborto… Isso não existe.
Primeiro os abortistas sequestram as instituições “científicas” e passam a corrompê-las, a colocá-las para trabalhar em prol da agenda deles. Depois forçam a aceitação da população à nova cultura. Manipulam pesquisas e exageram números. Principalmente manipulam as palavras! “Não é legalização do aborto… É redução de danos!” =P E assim tornam a sociedade apática às mudanças para as quais eles são pagos para implementar.
Pronto. Conseguiram no Uruguai embora não sem muitas restrições… Mas já conseguiram dar um grande passo. E no Brasil, onde a resistência pró-vida é maior, eles vieram com tudo! De modo especial com a reforma do Código Penal, uma forma mais ágil de avançar na causa sem precisar de tantos subterfúgios trabalhosos.
Bom, guarde esse post, por gentileza, e ofereça ao primeiro tolo que vier lhe falar sobre “redução de danos” e de como isso não tem nada a ver com descriminalizar o aborto…
A única redução de danos possível é não permitir abortos! Prevenir danos no aborto é não fazer aborto.












Diariamente o trânsito de pessoas e mercadorias causa acidentes e vítimas fatais. E a única redução de danos possível é não permitir o livre ir e vir.