“Um Deus que nos constrange tanto não precisa nos castigar”, ouvi certa vez de um pregador baiano que nem lembro mais o nome. Ele pregava sobre o pouco conhecimento que temos a respeito de Deus ser a raiz do pouco conhecimento que temos sobre nós mesmos! Sim, eu entendi que o constrangimento é a forma mais pedagógica de castigo que Deus tem para conosco.
Ao menos é assim comigo, na minha relação com Ele. Constrangimento é exatamente o que eu sinto tantas e várias vezes quando estou diante de Deus. O fato de Ele se permitir ser meu! De se fazer pequeno, de me perdoar sempre e tanto, de me amar… Essa, precisamente, é a forma com a qual Deus permanentemente me constrange: me amando.
Obviamente Seu amor não é um castigo. E é também! Não falo como o teólogo que eu certamente não sou. Mas num sentido livre é isso que eu diria que o amor de Deus faz comigo: não é castigo algum e ainda assim me aflige, me faz sofrer e me constrange. Por certo não por Ele mesmo, mas por mim que não sou capaz de tanto amor.
A pregação que me referia falava sobre dois personagens bíblicos que, inclusive, são os meus prediletos. Madalena e Lázaro! O que eles tinham em comum? O que, em geral, todos nós temos com Nosso Senhor: um encontro de ressurreição. Sabemos que seria menos doloroso para Madalena os golpes das pedras que os golpes de amor de Jesus Cristo. E no entanto ela pode escolher: não o interrompeu quando Ele abaixou-se no meio da multidão e, na areia do chão, pediu permissão para que fosse Ele e não a multidão a tomar para si a vida da prostituta.
Ela aceitou. Como sabemos, Madalena aceitou que Cristo mesmo a golpeasse. Foi assim, nesse encontro com Nosso Senhor que morreu a mulher de muitos homens para que revivesse e desposasse um só Senhor. E ela o fez com alegria, mas não sem dor. Não sem o constrangimento de saber-se amada por Deus e descobrir quem ela era de fato. Descobrir que apesar de todos, apesar de tudo e apesar dela mesma, Madalena não era a prostituta que ela aprendeu a ser.
Ela era Madalena. Mulher e serva muito amada de Deus, apesar de sua consciência lhe dizer que não. “Você é uma prostituta. É o que você é. Não se atreva a ser outra coisa! Não se atreva a fingir para si mesma algo diferente de sua realidade. Prostituta. Você é prostituta e se tem alguém que sabe disso melhor que qualquer um, esse alguém é o seu próprio Deus, Madalena, prostituta!”
Nosso Senhor lançou a pedra que aniquilaria Madalena e ela descobriu quem era seu Deus e quem ela era. “Eu sou Madalena! Eu sou Madalena! Ele é quem me diz. E eu sou quem Ele me diz que eu sou! Madalena! Sou Madalena! É quem sou! Mulher e serva do meu Senhor.”
Claro que isso aparentemente foi motivo de júbilo. Mas é fato: mais feroz que toda a multidão que apenas ameaçava matá-la, mais violento que todos foi o próprio Deus de Madalena que a aniquilou pela própria vontade dela. Mas para lhe dar a vida! E Madalena tornou-se quem ela era chamada a ser.
Lázaro tem uma história diferente. Mas também em um encontro com Deus, o próprio Cristo, o constrangeu e o violentou de uma forma ainda mais profunda: Cristo tirou de Lázaro até mesmo aquilo que ele não tinha, a própria morte. Morto, o que mais poderia desejar Lázaro? Ele viveu retamente, ele cumpria os mandamentos, era amigo e amigo íntimo do próprio Cristo. O que mais um homem poderia desejar na vida que não uma boa morte? E assim aconteceu. Lázaro desposou a irmã morte, mas Nosso Senhor interveio e com o consentimento de Lázaro, certamente, lhe arrancou o que qualquer servo fiel poderia desejar para si.
“Lázaro, vem para fora!” Constrangeu-lhe o Senhor. Mas quem era Lázaro para ouvir tamanho chamado e voltar à vida? “Você é um morto! É isso que você é, Lázaro. Você está atado e desposa a morte. Já viveste tudo o que tinha pra viver. Você cumpriu com os mandamentos e foi amigo do Messias. Nada mais desejas! Você é um morto, homem. Que vaidades são essas que agora sobre ti repousam? Morto! Morto! É tudo o que você é!”
Jesus Cristo insistiu e como se fosse uma nova ata e percorrer o corpo de Lázaro até o mais profundo do ser dele, seu próprio coração. “Lázaro, vem para fora!” Ele o fez saber quem Ele era e quem Lázaro era chamado a ser. “Eu sou Lázaro. Sou o homem pelo qual Jesus Cristo chorou. Sou o seu melhor amigos. Sou Lázaro! Eu sou Lázaro, o redivivo.”
E eu, quem sou? Poderia ser alguém bom e defensor de grandes coisas importantes. Alguém que se expressasse bem, que criaasse e fizesse acontecer. Mas como Lázaro e Madalena aceitei ser constrangido por Nosso Senhor e Ele mudou tudo de novo, mostrando a realidade sobre mim e quem eu sou, afinal. Feriu-me em um único arremesso da pedra mais mortal. Atou-me profundamente. E elevando sua voz me ordenou sem que eu pudesse resistir: “Vem para fora!” E renovou a verdade sobre mim para que eu seja quem sou chamado a ser.

Obrigado, Senhor Jesus.













Que bom que Ele continua te constrangendo com Seus golpes de Amor,Ele sempre me surpreende…
PARA REFLETIR. FAREI ISSO!
Adorei, é por esse Deus que sou apaixonada.
Vou ler sempre, e divulgarei também