Um padre simpatizante do PT condenou o cartaz pró-vida que jovens do Paraná levaram até a V Caminhada da Família em Londrina. Que tal? O cartaz é este aí, um horror, uma provocação sem medida, um atentado a moral e aos bons costumes, coisa do capeta: “Sou Católico – Não voto em partido abortista!”

No blog Porta Fidei, onde peguei a imagem e onde li sobre a V Caminhada, Renan Cunha resume o que foi o evento:
Sobre a marcha, achei muito válida. Mas a população precisa se organizar mais, sobretudo, o grupo pró-vida. Precisamos trabalhar a consciência dos católicos para que se expressem claramente contra o aborto e contra as demais campanhas que ofendem a dignidade da família, p. ex., as propostas a respeito do “casamento” gay. Principalmente, precisamos, urgentemente, esclarecer a mentalidade dos padres para que falem em suas homilias sobre a importância da vida e dessa luta contra a cultura da morte. E é claro, muita oração, pois sem ela, todo nosso trabalho é descartável.
Na verdade, Renan, o que tem que ser trabalhado é o clero mesmo. Infelizmente é essa nossa urgência. Você citou, no seu blog, que nem se tratava de uma caminhada exatamente pró-vida, mas genericamente – como gosta um certo clero – uma caminhada da família, o que já é muito bom dado às circunstâncias, né? E que nessa caminhada uns poucos jovens ousados levantaram um banner pró-vida, o que foi suficiente para que a mídia divulgasse o evento como uma “marcha contra o aborto”.
Veja como a cultura reage a certo clero mal formado (vamos dar o benefício da dúvida… “mal formado” é sempre melhor que “mau caráter”, né?)… Até a mídia secular sabe, porque entende de cultura – você sabe que o jornalismo tem um contrato cultural com seu público, e que pra isso tem que entender muito bem da cultura nacional, é claro, e contrariá-la o mínimo possível se quiser vender notícia -, então, até a mídia sabe a importância do discurso pró-vida que o clero mau caráter mal formado não sabe, né?
Temos um certo “problema” no catolicismo. Diferente dos protestantes, nós católicos somos como um exército que só se movimenta com ordens dos generais – é fato: os protestantes são, cada um, seu próprio general e isso chega a ser vantajoso ao menos em questões de atitude, de reação cidadã, como demonstram tantos exemplos… Bom, eu me pergunto onde está o Concílio Vaticano II na mentalidade de um “povo de Deus” que se acha inválido para tudo até que um sacerdote lhes diga para o que tal povo é válido… Quando convém, é claro, o povo escuta e age. Especialmente se for para fazer nada e permanecer imóvel! Risos.
Eu não acho isso bom. Já me disseram que isso é ótimo desde que o “povo de Deus” tenha bons padres… Bom, enfim! “Clericalismo do bem” também não me apetece… Mas talvez eu esteja em algum momento ruim ao achar péssimo que as pessoas não possam usar o próprio cérebro. O que eu acho, no entanto, tem pouca importância, sou o primeiro a admitir!
Então, Renan, é assim que a banda toca… O Vaticano II que – ainda bem! – tanto insiste no protagonismo leigo só é lembrado, neste quesito, quando convém ao clericalismo vigente no Brasil. Um horror… Fico imaginando esses garotos do banner pró-vida, coitados, se sentindo repreendidos por serem meramente católicos. Se estivessem com um banner enorme do Che Guevara correriam sério risco de serem homenageados, hein? Risos.
Mas é isso, rapaz. Somos todos quais prisioneiros de Azkaban!
Mas não nos vangloriemos… Nem somos os primeiros e nem somos sequer como a poeira dos pés de tantos mártires “fundamentalistas” que entopem nossos altares. Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter!
Pra você, Renan, e para os garotos do banner…












Adorei o texto, Wagner. Infelizmente, aqui no Brasil as bandas tocam desse jeito. Mas pelo que tenho visto dos seminaristas, teremos uma boa safra de novos padres. E pra logo. Assim espero. Rezemos