Gabriel Chalita pode ser a melhor pessoa do mundo – como alguns imaginam -, pode ter até – como ele imagina – qualidades de um estadista e, inclusive – como imaginam outros – ter um ótimo relacionamento com muitos bispos católicos e comunidades (mas não com todos e, mais atualmente, cada vez menos com as comunidades católicas de fato). Mas isso, independentemente da imaginação de qualquer um de nós, não faz nenhum político um exemplo de político católico. Ainda mais o senhor Chalita, convenhamos os que ainda conseguimos ver 2 na soma de 1 + 1.
Longe de mim acreditar que, agora, um bom político deva ser um bom católico. Isso mesmo! Confesso que prefiro, mil vezes que, no Brasil, o político nem católico seja… Obviamente eu posso explicar esta afirmação absurda: com a política de padroado – aquela coisa horrível de tempos passados que permitia (pelo menos permitia na prática…) submissão da Igreja às autoridades temporais – com a política de padroado ainda tão presente no Brasil, é sempre um risco imenso termos políticos católicos “sequestrando” igrejas locais para si, para seu partido, para sua administração e, o que é pior, para sua ideologia completamente anti-católica e que ele, o político, sequer compreende assim – embora seja óbvio.
Obviamente isso não se aplica a todos os políticos católicos, somente à imensa maioria deles, em geral bem distantes de preocupações verdadeiras a respeito da guerra cultural na qual nos encontramos. Sim, porque um político católico que tenha a mínima noção dos tempos que vivemos não teria sequer oportunidade para pensar em troca de favores eclesiásticos, em domínio do clero e que tais afins à gente de espírito pequeniníssimo.
Cito um exemplo OPOSTO ao de tais sequestradores. Semana passada recebi email de uma candidata católica – ok, a Doris, de Nilópolis (RJ), vamos nominar porque ela merece mesmo – que me respondeu utilizar seu marketing político unicamente para formação pró-vida e eu, positivamente admirado, quase caí para trás. Isso não é uma candidatura, é um milagre!
Isso, sim, é alguém católico em quem se votar. E não tenho apenas este único exemplo! Tenho mais dois. Risos. Não são muitos. Mas é maravilhoso tê-los.
É engraçado o que nos dizem os políticos católicos do padroado. “Mas é um absurdo você esperar que o político católico seja aquele que faz tudo o que a Igreja quer! Sou católico, mas governo para todos.” E eu sou a ONU e governo quem eu posso comprar.
É gritante e triste a ignorância de um político católico desse nível que pensa – ou finge pensar… – que ser católico na política é “fazer tudo o que a Igreja quer” em detrimento do bem coletivo.
O católico na política deve atender, justamente, ao bem coletivo. Isso é, inclusive, orientação da Igreja! Não se trata, como é óbvio, de se esperar que a participação católica na política irradie clericalismo. Para quem observa a situação brasileira é, inclusive, fácil perceber que são justamente os maus católicos que, na política, incentivam tal clericalismo.
Não é incrível? Dizendo ser opostos ao clericalismo, eles se empenham justamente para fortalecer o que condenam!
Um clericalismo às avessas! Se é que exista algum bom clericalismo… No caso brasileiro é o clericalismo bolchevique (dos russos…), aquele que acha normal existir “o catolicismo do Vaticano” e “o catolicismo pastoral” e que atende as demandas de um grupo político poderoso e não aquele que, como quer a propaganda, “tem sensibilidade para a vida real dos fiéis”.
Com uma situação nacional assim é óbvio que só poderíamos ter poucos católicos na política. Mas é claro! A própria formação política que algumas igreja locais dão até mesmo a bons católicos é justamente seguir a cartilha do clericalismo bolchevique presente em algumas dioceses muito antes de estar presente no poder de fato.
Em outras palavras, temos poucos católicos na política porque isso convém a muitas igrejas locais que são, infelizmente, apenas mais uma expressão do poder político dominante – o que não implica dizer poder político de direito, mas aquele que, mesmo fora de cargos do executivo, tudo governa. Preciso mesmo citar o nome do partido? Os inteligentes saberão. Estou cansado de citá-lo.
Qual a saída? A formação católica dos tais políticos católicos e, obviamente, mais liberdade para o catolicismo onde o clericalismo dominar. É a parte mais difícil! Mas é possível uma convivência respeitosa com esse clericalismo. Afrontá-lo, infelizmente, não traz boas respostas. É que os próprios católicos, no Brasil, aprenderam que catolicismo é justamente clericalismo: o padre pode tudo, desde que mantenha a oferta de sacramentos – e em alguns casos, desde que deixe que pensemos ser padres como ele, risos.
É claro que eu posso estar enganado. Chalita certamente está.
Atualização: só a título de Dom Antonio Augusto Dias Duarte não tem nada a ver com tudo isso que está aí – apesar de ter aparecido ao lado de Gabriel Chalita no PHN. O bispo tem uma excelente formação pró-vida pelo que se pode ver e ouvir no vídeo a seguir.











