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Arquivo para 13 julho, 2012


Foto: Joel Silva/Folhapress

Neste dia 13 faz exatamente 1 mês que Dom Luiz Gonzaga Bergonzini nos deixou. E quanta coisa já aconteceu! Para marcar esta data eu publico o texto de Valor Econômico do dia 22 de março, sobre a última ação pública de Dom Bergonzini, o Dom da Vida. Trata-se da manifestação de apoio que ele recebeu de todos para selar sua inocência contra todas as acusações de prática de crime eleitoral por causa da distribuição do documento da CNBB Sul 1.

Rezemos por sua alma e nos inspiremos em sua luta.

***

22/03/2012 às 00h004 – Jornal Valor Econômico
Católicos antiaborto retomam distribuição de folhetos contra o PT

Por Cristiane Agostine | De São Paulo

A pouco mais de seis meses para a eleição municipal, um grupo de católicos retomou ontem a campanha contra o PT em São Paulo e planeja distribuir um milhão de folhetos com o pedido aos fiéis para que não votem em petistas. No texto, religiosos associam o partido à defesa do aborto e pregam o voto em quem é contra sua descriminalização.

Os panfletos têm a assinatura da regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB), entidade máxima católica, e foram elaborados originalmente contra a campanha de Dilma Rousseff, em 2010. Apreendidos naquele ano, foram liberados pela Justiça em 2011 e deverão voltar a circular em igrejas católicas nesta eleição.

Ontem, cerca de cem católicos, com presença maciça de jovens, se reuniram na praça da Sé e em frente ao Fórum João Mendes, no centro da capital paulista, para distribuir cem mil folhetos e protestar contra o aborto. O autor do texto, padre Berardo Graz, era uma das lideranças do protesto, ao lado do bispo emérito de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que assumiu em 2010 a responsabilidade pelo panfleto.

Católicos reforçaram as críticas ao governo federal e acusaram a presidente Dilma Rousseff de tentar legalizar o aborto, em suposta manobra para aprovar a proposta dentro da reforma do Código Penal, em discussão no Legislativo. Os religiosos atacaram também a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, por ser a favor do aborto.

Em um dos cartazes de protesto estava a foto da ministra com a inscrição “Fora assassina” e a imagem de um bebê sendo esmagado por uma estrela vermelha com o número 13, do PT, e com uma foice e um martelo cravados em sua testa. Manifestantes soltaram bexigas vermelhas representando as “almas” dos fetos abortados.

O coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e autor do folheto anti-PT, padre Berardo Graz, criticou o anteprojeto de reforma do Código Penal, que prevê a ampliação dos casos em que o aborto é legal. Segundo Graz, a proposta está sendo patrocinada por empresas e entidades internacionais que querem reduzir a natalidade no país. “Queremos a CPI do aborto”, defendeu.

A comissão de juristas criada pelo Senado para elaborar o novo código aprovou que a gestante poderá interromper a gravidez até a 12ª semana se tiver um laudo de médico ou psicólogo atestando que não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini criticou a presidente por “mudar de opinião”. Na campanha em que foi eleita, Dilma afirmou que não descriminalizaria o aborto. “Nossa presidente está tirando a castanha com a mão do gato. Ela não fala abertamente mas nomeia ministras que são abortistas”, disse Bergonzini, referindo-se à ministra Eleonora Menicucci.

Entre críticas ao governo e ao aborto, Bergozini entrou com uma ação contra a ONG Católicas pelo Direito de Decidir, a favor do aborto. O bispo pede indenização de R$ 600 mil por “danos morais” e que a ONG retire o “católicas” do nome. Procurada, a entidade não se manifestou.

A campanha municipal passou ao largo do protesto, mas o padre Graz disse que religiosos poderão atualizar os panfletos. Questionado sobre a campanha em São Paulo, o autor dos folhetos disse estar mais preocupado com a pré-candidatura do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB) do que com a de Fernando Haddad (PT).

“Chalita nos preocupa e até mais, porque ele se diz católico. É um falso católico. Falo como padre. Se fosse meu paroquiano já teria puxado a orelha dele mais de uma vez”, afirmou Graz. “Somos mais contra Chalita do que o Haddad”, completou. “Quer os votos dos católicos para empurrá-los para decisões que não são conforme a nossa doutrina”. Chalita foi procurado em seu celular e via assessoria para comentar a declaração do padre, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

O padre disse ter “preocupação” com Haddad por conta do kit anti-homofobia, elaborado pelo Ministério da Educação quando o petista comandava a Pasta. Sobre a possível pré-candidatura de José Serra (PSDB), Graz disse que o tucano seria a opção “menos pior”.

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Mancha das Vadias

Não poderia ser mais esclarecedor o recente artigo de Carlos Ramalhete que, como bom colunista, é um polemista e tanto! A manifestação feminista que identifica liberdade com o arquétipo feminino mais degradante, o de “vadia”, é um desastre. Antigamente o feminismo marchava, hoje ele mancha-se, ridiculariza quem diz promover. Carlos acertou em cheio.

Esse foi o meu comentário para Gazeta do Povo com relação ao excelente artigo Gambás e alcatras do polêmico colunista Carlos Ramalhete – que sempre escreve às quintas, e escreve sempre de primeira! Endosso a leitura! E explico: neste final de semana as feministas saem em mancha (elas dizem marcha…), em Curitiba, para denigrir o feminino que, agora, elas exigem, seja identificado pelo pejorativo “vadias”. Nada de novo, afinal é o trabalho delas: ridicularizar o feminino e substituí-lo por uma paródia do que há de pior no universo masculino.

Sim, é a famigerada Marcha das Vadias que a mídia resolveu adotar como o carnaval feminista. Enfim… Rende polêmica, rende debates, é um prato cheio de contraditórios e de imagens interessantes. Vende jornal! Então vamos dar espaço à manifestação da sociedade civil organizada. Normal. Normalíssimo. É o papel da mídia… Azar o das pobres mulheres que forem manchar o feminino e azar, especialmente, do feminino.

Que mundo louco! Uma marcha de travestis consegue enaltecer o feminino com mais propriedade que uma marcha de mulheres “ativistas”, hoje em dia… O que acabo de dizer, obviamente, deve ser tido como elogio para quem promove tal ativismo feminista. A cabeça dessas ativistas funciona que nem a Família Adams: quanto pior, melhor.

Mas demorou! Demorou até que as feministas entendessem que não poderiam viver na sombra de suas parcerias com o movimento gay, com o movimento ateu, com o movimento social de qualquer outra espécie… Elas precisavam sair um pouco do mundo dos comitês, grupos de trabalho, audiências públicas e lobbies. Precisavam ganhar alguma simpatia, ainda que do jeito delas, às avessas.

Estão fazendo o que funciona: rir. O brasileiro se conquista pelo riso! Deixem que riam delas com seus seios caídos e pintados. Deixem que riam delas com suas banhas volumosas na avenida num grito por… Respeito. Enquanto se riem delas, elas passam por sobre o Brasil. Depois do discurso de paz e amor das velhas esquerdas, o riso, a comédia e o entretenimento é a melhor forma de invisibilidade das reais intenções desse pessoal.

É incrível a lógica del@s. Fingindo desejo de visibilidade, el@s se “invisibilizam” para melhor poder agir. Elas querem o de sempre: aborto, fim da família e todas essas causas financiadas pelas mesmas fundações internacionais de sempre. Mas embalando tudo para presente com um monte de mulher nua gritando palavras de ordem e chamando atenção para como o fato de se dizerem vadias não as torna vadias… É mais, digamos, divertido. E o brasileiro gosta e com o tempo vai se acostumar. No futuro – sombrio – vamos ler aquelas máterias de famílias as mais sem cérebro levando suas crianças para um evento desses e dizendo que é bom, é maravilhoso, é cidadão e que suas crianças precisam crescer nesse mundo.

Mas para o azar delas, aqui é o Brasil. E “marchatenimento” (marcha + entretenimento) não funciona em culturas católicas. Pelo menos não do jeito como as feministas mais “vadias” desejariam: com engajamento político (taí a Parada Gay de São Paulo que este ano foi um fiasco: a fórmula cansou quando o lado político falou mais alto no evento – que já era uma grande… Um grande cocô!).

Claro que as feministas práticas, as que realmente mandam em alguma coisa e garantem o cartão de crédito ilimitado, sabem que essa bobagem é útil para imobilizar a opinião pública e isso é ótimo e é pra isso que elas mobilizam todas as demais.

Em resumo é tudo contra a mulher. Mas é óbvio que é! Pelo menos contra a mulher de verdade. A mulher “socialmente construída”, essa coisa toda feita do pior do ser homem, como querem as feministas, essa está protegida e vai fazer ainda mais barulho, mais mancha por aí.

Como fica a mulher de verdade num mundo em que um homem afeminado – “afeminar” é palavrão mesmo, “feminilizar-se” não o é, “feminino” não o é, não há qualquer coisa errada com as características do feminino, o errado é parodiar essas características e desejar que isso seja homenagem ou “empoderamento”, a paródia é sempre uma farsa e falsificar o feminino só pode ser algo bom para quem quer justamente destruir o feminino -, mas voltando, como fica a mulher num mundo em que um homem afeminado pode tem o direito de “ser mulher” pelo simples fato de assim desejar?

Que respeito à mulher quando o feminino é equiparado às piores paródias como a que lhes prestam as “vadias”?

Quem é essa mulher que el@as querem elevar, promover, empoderar? É a “mulher” que suplantará a mulher de verdade. É ela. Não se trata de nenhuma luta pelas mulheres de verdade que têm orgulho de sua natureza e que, aliás, reconhecem possuir uma natureza e não meramente um “gênero”.

Não é estranho esse pessoal falar em manifestação pela mulher quando eles admitem abertamente que *não* existe mulher alguma… Que é tudo uma questão de encenar papéis de “gênero”? Que é tudo uma “construção” do doentio imaginário del@s que militam para que um dia o Brasil seja uma China onde a mulher precisa de autorização para engravidar e onde seus filhos – suas filhas, especialmente – são abortados por “escolha” de quem subjuga a mulher real. Que mundo feliz será! Não é mesmo?

Eu não entendo o ódio que essa gente tem das mulheres de verdade. Não entendo por que precisam acabar com elas, por que precisam denegrí-las, deformá-las, parodiá-las, negar-lhes a própria existência como se fossem fruto de um sonho machista e não são. É justamente o contrário! Vocês que “marcham” na verdade contra a mulher é que são o fruto de um patriarcado ordinário que alimenta suas ongs, redes e ativismos contrários ao feminino…

Mas cobrar o que de quem se quer vadia, caricatura de mulher?

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