Via O Camponês, blog do Sérgio:
Pequenas notas sobre a imortalidade feitas após a leitura da conferência “A imortalidade”, contida no livro “Borges, oral” de Jorge Luis Borges
O elemento estrutural do cosmos, e a realidade fundamental da nossa experiência, chama-se alma imortal humana. Essa é nossa verdadeira constituição e verdadeira realidade. Somos almas imortais, e é só isso que somos.” (Olavo de Carvalho)
1) Eu não sou uma gota que irá se dissolver no oceano que é Deus. A alma é individual. A imortalidade da alma é pessoal. Eu não vou me perder no oceano/Deus. Eu sou eu, Deus é Deus. Continuarei sendo quem sou na eternidade e minha grande felicidade será contemplar eternamente o Totalmente Outro, Deus, a Trindade.
2) Eu não sou uma centelha divina. Eu não sou Deus. Deus não é eu. Só Deus é. Eu só sou em Deus. Somos pessoas distintas, eu e Deus. Eu sou um mísero pecador, merecedor do inferno, que, pelo perdão de Deus posso alcançar a eternidade, em seu único filho, Jesus Cristo. Deus é o Eterno, o Absoluto, o Eu Sou. Disse Deus à Doutora da Igreja Santa Catarina de Sena: “Sabes, Minha filha, quem tu és e Quem EU Sou? Se chegares saber estas duas coisas será bem-aventurada. Tu és aquela que não é; EU, ao contrário, Sou AQUELE que Sou. Se mantiveres na tua alma essa distinção, o inimigo não poderá te enganar e evitarás todas as suas armadilhas.”
3) O tempo não é eterno. Só Deus é eterno. O tempo é criatura. Ele começa na Criação e termina na Parusia.
4) A imortalidade cósmica, não pessoal, na qual se perde a individualidade, a memória, a consciência de si, é desesperadora! Perder a individualidade, para algumas religiões, é o próprio inferno. Ver dissolver-se a própria individualidade e consciência de si é o vazio, o fim, o nada. A alegria é permanecer consciente de si, é saber que somos criados para a glória de Deus, para contemplar eternamente a Deus com o nosso ser. É participar da glória dos filhos de Deus.
5) A imortalidade cósmica, impessoal, não existe. Se ela existir, não existe Céu, Inferno e Purgatório e a Doutrina Católica está errada. Portanto, ela não existe, pois certa e verdadeira é a Doutrina Católica, ensinada por Cristo, mantida pelos Apóstolos, com o auxílio divino do Espírito Santo.
6) A consciência de si não cessa com a morte. A individualidade permanece para além desta vida.
7) Perder a consciência de si é perder a consciência de Deus. E perder a consciência de Deus é o vazio, o nada.
8 ) Nem no Inferno se perde a consciência de Deus. No Inferno se sente ódio de Deus e para sentir ódio de Deus é preciso ter consciência de si e de Deus.
9) A salvação compreende a individualidade. Cristo salvou a humanidade, mas a salvou em cada homem, individualmente. Não salvou a humanidade abstrata, mas a cada homem, a cada alma. Que sentido teria Cristo morrer por cada homem e salvá-los, se após a morte perdessem a individualidade, a consciência de si?
Read Full Post »