O mal nunca me inquetou por sua mera presença. Sempre achei muito compreensível haver o bem e o mal (ou não haver o mal se levarmos em conta que ele seja a ausência do bem, como diriam os filósofos mais superiores) e dessa forma nunca me fiz a pergunta clássica: “por que existe o mal”? Ora, porque sim. Porque nos é dado escolher. Não há surpresa alguma no mal – sequer o seu fim é surpresa, aliás. A questão que me intriga é outra: “por que o bem tolera o mal?”
Até certo tempo isso era completamente incompreensível para mim – mas completamente ignorável, às vezes. Como os fatos se impõem, vamos aceitando… O bem tolera o mal desde há muito tempo como se essa fosse a condição do bem. Sim, pois o mal não tolera o bem desde há muito tempo! Se o fizesse talvez colocaria seu malefício intrínseco em cheque.
O que me preocupa, na verdade, é essa confusão entre tolerar e aceitar. Sinto profundamente pelos que tolerando enganam-se a si mesmo na primeira oportunidade e aceitam! Nem sei como conseguem a proeza… Sim, pois o natural é aceitar o bem e não o mal. Tanto é assim que muitos só aceitam o mal depois de distorcê-lo, inacreditavelmente, como se bem fosse.
Conheço tantas pessoas nessa situação que já não têm mais qualquer noção de realidade. Mas é óbvio! Quando se confunde bem e mal, não se pode mesmo distinguir a realidade. E isso, é claro, é um mal tolerável. O que fará Deus com quem não distingue mais o direito do esquerdo? Tolerará, acho. Fico até curioso para saber se alguma civilização já acabou assim, como que com todos seus cidadãos dentro de um manicômio. Acho que a nossa civilização acabaria assim se ainda houvessem manicômios como antigamente (sem apologias ao velho sistema!).
Que desvantagem pensar.











