
A alegria, que foi a pequena publicidade do pagão, é o gigantesco segredo do cristão. E no fechamento deste caótico volume torno a abrir o estranho livrinho do qual proveio o cristianismo; e novamente sinto-me assombrado por uma espécie de confirmação. A tremenda figura que enche os evangelhos ergue-se altaneira nesse respeito, como em todos os outros, acima de todos os pensadores que jamais se consideraram elevados.
A compaixão dele era natural, quase casual. Os estóicos, antigos e modernos, orgulhavam-se de ocultar as próprias lágrimas. Ele nunca ocultou as suas; mostrou-as claramente no rosto aberto ante qualquer visão do dia-a-dia, como a visão distante de sua cidade natal. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Solenes super-homens e diplomatas imperiais orgulham-se de conter a própria ira. Ele nunca a conteve. Arremessou móveis pela escadaria frontal do Templo e perguntou aos homens como eles esperavam escapar da danação do inferno. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Digo-o com reverência; havia naquela chocante personalidade um fio que deve ser chamado de timidez. Havia algo que ele encobria constantemente por meio de um abrupto silêncio ou um súbito isolamento. Havia uma certa coisa que era demasiado grande para Deus nos mostrar quando ele pisou sobre esta nossa terra. As vezes imagino que era a sua alegria”. – G. K. Chesterton, in Ortodoxia.
Acho tão bonitos esses parágrafos que li no Deus lo Vult antes do carnaval. Só lamento não ter impresso e colocado no bolso quando tive oportunidade de expor o assunto para um grupo de jovens – fui falar de cabeça e nunca é a mesma coisa.
O segredo de Nosso Senhor… Sua alegria! Faz sentido. Imagino que razões não faltavam para segredar tamanha alegria. Imagino que, talvez, só a Virgem Maria e São José soubessem disto: de como era feliz o menino, o jovem, o homem Jesus. Imagino que Nosso Senhor foi muito amado por seus pais. E amor só costuma fazer bem.
Quando li pela primeira vez esse pensamento de Chesterton eu ri. “É mesmo! É mesmo!” E na primeira oportunidade eu quis reproduzir o que se tornou, então, também minha descoberta… E o fiz num retiro de carnaval. Enrolei, enrolei e quando cheguei nos finalmentes: “o segredo de Jesus era sua alegria”… Parecia que ninguém tinha entendido.
Por que Jesus faria segredo disso? Ora… Ele não dançava com os discípulos? Não festejava? Não sorria? Parecia tão óbvio para os meus ouvintes que Nosso Senhor não fazia segredo da alegria dele. Acho que só eu não sabia!
Enfim! Sempre fui mais lento mesmo. Mas, acho, havia, sim, uma imensa alegria que Nosso Senhor guardava para si, para poucos, por uma razão simples: era demasiado grande a alegria Dele, talvez grande o suficiente para que não conseguíssimos imitar, compreender, alcançar…
Ou talvez por um dever de justiça não soubemos de tamanha alegria… Pode ser que Nosso Senhor não nos pudesse antecipar a contemplação dela. Será que alguém, além de poucos escolhidos, teria resistido a tamanha revelação?
Não faço ideia, mas fico na expectativa de um dia poder conhecer esse segredo. É o que me move, acho que posso dizer.












É verdade,a alegria do Senhor continua sendo a nossa força!
[...] maravilhosos posts, baseados nos parágrafos finais de “Ortodoxia” de Chesterton, no blogs de Wagner Moura e de Jorge Ferraz sobre a alegria escondida de Nosso [...]
[...] Eu gosto de Chesterton ou pelo menos do único livro que li dele… Eu deito na grama e abro os braços, sorrio para a brisa e fecho os olhos para o sol não descobrir a alegria que ele mesmo não soube sob os olhos de Nosso Senhor. Havia algo que ele encobria constantemente por meio de um abrupto silêncio ou um súbito isolamento…” [...]
[...] ler neste blog: O segredo de Nosso Senhor Divulga isso!FacebookTwitterEmailGostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar [...]
[...] Como era feliz Nosso Senhor! O Deus que se fez homem, fez tudo para nossa sua alegria – era chegada a plenitude dos tempos, lembram? Eu já contei sobre esse segredo de Cristo neste post: O segredo de Nosso Senhor. [...]
“Será que alguém, além de poucos escolhidos, teria resistido a tamanha revelação?”
Eu, por exemplo, não resisti, fui incapaz.
E me rendi inteiramente a Ele: sou escravo da verdadeira Alegria.
com missas , poderemos ter este segredo e da-lo a um numero cada vez maior de almas !