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Arquivo para 16 janeiro, 2010


Escombros da Igreja Sacré Coeur de Tugeau, em cuja casa paroquial
Zilda Arns proferiu uma palestra antes de morrer

Se alguém ainda se pergunta por que Deus leva os bons, não há melhor ocasião para a resposta: para elevar ao mais próximo do infinito o poder que eles têm de amar. E os sismógrafos políticos do Brasil estão só começando a registrar este fenômeno de amor que pode ser o primeiro terremoto de dimensões continentais neste país.

Há um terremoto de amor vindo na direção de todos nós em tempo oportuno. E o considero uma resposta à crise de esperança pela qual muitos de nós já nos preparávamos! Em 2010, eu creio, o Brasil poderá viver as cenas mais bonitas do Magnificat, o canto bíblico entoado pela Virgem Maria.

Os bons morrem para serem completamente nossos, sendo completamente de Deus.

Deixo você com a reportagem de capa da revista Veja desta semana sobre o testemunho da Dra. Zilda Arns.

***

Viveu como santa, morreu como mártir
Zilda Arns: a santa brasileira

Fundadora da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns dedicou
a existência a minorar o sofrimento dos despossuídos e a evitar
o desperdício da vida. Até o último minuto.

Nascer mulher em Forquilhinha, Santa Catarina, nas primeiras décadas do século passado significava ser, no futuro, professora ou religiosa. Zilda Arns, 13ª filha de uma família descendente de alemães, contrariou esse destino por amor. Aos 21 anos de idade, apaixonou-se pelo futuro marido, o então marceneiro Aloysio Neumann, que, chamado para um conserto na casa dos Arns, encantou-se com a jovem que viu na sala tocando piano. Foi também em nome de outra forma de amor, aquele mais sublime que se devota ao próximo, que Zilda enfrentou a resistência paterna e insistiu em estudar medicina, num tempo em que ser doutor era coisa de homem. O apoio do irmão, o hoje arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, foi fundamental para dobrar a família. “Ele havia estudado na Sorbonne e convenceu o pai de que estavam começando a formar mulheres médicas lá fora”, conta Rogerio Arns Neumann, de 39 anos, um dos seis filhos que Zilda teve com Neumann, morto em um acidente no mar aos 46 anos de idade. Desde que alterou o curso do próprio destino, Zilda Arns não parou mais de mudar o dos outros, a começar por aqueles que a miséria e a ignorância haviam fadado a ter curta duração.

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