
Comunicado oficial da FSSPX à imprensa diz que as excomunhões nunca existiram.
“Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”. (São Lucas 10,16)
Um momento histórico marcou o pontificado do Papa Bento XVI no último sábado: o levantamento das excomunhões de quatro Bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo de origem suíça conhecido pelas críticas ao Concílio Vaticano II (responsável pela renovação da Igreja), bem como pela promoção da missa Tridentina, na qual o padre reza de frente para o altar e de costas para os fiéis.
As excomunhões datam de 1988, quando o fundador da FSSPX, Dom Marcel Lefebvre, recusou submeter-se à autoridade do Papa João Paulo II, o qual insistiu para que Dom Lefebvre não ordenasse bispos a quatro padres da FSSPX. Assim, Dom Lefebvre e os novos bispos foram penalizados como prevê o Código de Direito Canônico: com a excomunhão latae sentinae (automática).
Isso deu início ao que seria o maior cisma do século XX, dado que mais 600 mil fiéis são herdeiros dessa dissidência, apesar de não serem considerados, formalmente, cismáticos.
A publicação do decreto que levantou as excomunhões dos quatro bispos veio à público com o término da semana mundial de oração pela unidade dos cristãos. Mesmo em meio a críticas relevantes, o Vaticano divulgou que o gesto do Papa mostra um esforço pessoal em prol da unidade e é motivo de alegria na Igreja.
Prova desta alegria é a manifestação de alguns críticos do Concílio Vaticano II, como demonstra o site da Associação Montfort, para os quais o gesto do Papa foi, na verdade, mais do que divulgam os meios de comunicação do mundo todo. Para esses críticos o motivo da alegria não é a anulação das referidas excomunhões, mas a certeza de que o decreto afirma que as excomunhões foram inválidas.
Dessa forma os quatro bispos da FSSPX referidos no decreto – bem como os bispos que os consagraram – sempre estiveram em comunhão com a Igreja, o que confirmaria a defesa de que as excomunhões nunca foram válidas.
A interpretação pela ampla nulidade causou estranheza em quem leu o decreto e nele não encontrou sequer uma referência aos bispos que haviam consagrados esses que festejaram o documento. É o caso dos colaboradores do apostolado Veritatis Splendor, o qual publicou em site próprio, na noite de segunda-feira, 27, um alerta para que opiniões pessoais não sejam referência para a interpretação do documento.
Inaugura-se oficialmente, portanto, o quarto ano do pontificado de Bento XVI. Seja bem-vindo.
***
Para ler: Uma história canônica do cisma lefebvrita
Gazeta do Povo: Papa se aproxima de tradicionalistas












Wagner,
lendo a nota oficial de Roma, encontra-se a expressão “a partir de hoje” para a suspensão dos efeitos da excomunhão decalrada em 1988. Portanto, os efeitos anteriores ao sábado último não foram revogados. Foi um caso típico de anulação da pena, não de declaração de nulidade (que extinguiria os efeitos ex tunc, desde sempre). Trata-se, penso, de uma solução intermediária para a questão. O Papa ofereceu um caminho de reconciliação, mas não negou o cisma provocado pela sagração dos bispos. Aliás, tenho dúvidas se eles devem manter o status de bispos, uma vez que houve erro no processo de nomeação (deveria ter vindo do Papa). Pelo texto apresentado, não parece ter havido a convalidação, portanto eles devem ser considerados apenas padres. Note bem: não emito juízo quanto aos objetivos e às motivações deles. Apenas me refiro às formalidades canônicas.
Sds.
[...] texto, didático e bem explicativo da situação, é o do blog de Wagner Moura, que pode ser lido aqui. O texto tem alguns links externos, com ligações para outros textos explicativos, como muitas [...]
Wagner,
Agradou-me muito seu blog. Só o conheci hoje e precisarei de tempo para ler suas várias publicações, mas certamente o farei.
Parabéns.
Marcelo, acredito que o artigo do Veritatis é bem esclarecedor. O que estranho é constatar que a própria FSSPX acredita que as excomunhões sequer existiram… Acho que essa questão ainda vai dar muito pano pra manga.
Padre Clécio, como vai? Bom receber sua visita. Fique a vontade.
Marcelo,
As sagrações dos bispos da FSSPX são, no máximo, ilícitas, mas nunca inválidas. São bispos sem jurisdição, mas são bispos.
Em tempo, sagrações inválidas são as daqueles, por exemplo, da “igreja anglicana”, que o ecumenista cardeal Kasper pró-Vaticano II insiste em chamá-los de bispos. Pior do que isso, esses sequer são padres — são apenas leigos protestantes.
[...] e 41 pré-seminaristas. Pensando nesse contingente nada ignorável, o Papa Bento XVI, como um pai, suspendeu as excomunhões aos bispos da FSSPX, em 2009. Um gesto para fortalecer o diálogo com a Fraternidade, fortalecer a Igreja e o próprio Concílio [...]