Por que Deus não retira nossa liberdade quando percebe que avançamos no caminho do mal?
Já me fiz a pergunta. E compreendi algo novo ao ler a Suma Daemoniaca. Selecionei algumas explicações do Padre Fortea sobre o assunto, que também nos ajuda a compreender o que seja “visão beatífica”. Segue em espanhol:
¿Por qué Dios no retira la libertad en cuanto ve que alguien avanza por el camino del mal? Pues no lo hace, porque realizar tal cosa supondría que tal espíritu quedaría ya para siempre en el mal. Permitir que siga haciendo el mal, supone ofrecerle la posibilidad de que retorne al bien.
(…)
Todos en el cielo ven a Dios, pero nadie puede gozar de Él en un grado infinito, eso es imposible. Sólo Dios goza infinitamente. Cada ser finito goza al máximo, sin desear más, pero de un modo finito. Goza finitamente de un bien infinito. La comparación que se suele usar para comprender este concepto metafísico es que cada ser racional tiene un vaso, Dios llena ese vaso hasta sus bordes, plenamente. Pero cada vaso es de una medida determinada.
(…)
Cada uno determinara el grado de gloria que iba a gozar durante la eternidad
(…)
¿El modo?: una prueba. Según la generosidad, el amor, la constancia y demás virtudes que manifestemos en esa prueba, así en esa medida será el grado.
(…)
Dios puede crear el cosmos como quiera, como desee, según su voluntad, sin ninguna cortapisa, sin ningún límite. Pero el santo no se crea, se hace a sí mismo con la acción de la gracia.
(…)
El amor a Dios no se crea, es una donación por parte de la criatura.
Bonito, não? Penso que é isto que os protestantes, por exemplo, não entendem. E é nisto que está a razão de não aceitarem uma devoção aos santos… Imagine! Se na eternidade somos todos iguais, não faria muito sentido contarmos com as orações de quem é igual a nós completamente.
E daí que Madre Teresa de Calcutá está no céu? Sendo eu igual a ela, basta-me a graça de Deus. Não há qualquer necessidade de contar com “orações” de Madre Teresa.
Tenho certeza que para qualquer católico, mesmo para o menos praticante, a afirmação soa ridícula. Imagine sermos iguais a Madre Tereza!! Mas ainda que fóssemos… Imagine que a graça de Deus seria suficiente para *não* deixarmos de ser iguais a Marade Tereza! Se for assim… Que liberdade é essa que não permite nossa participação?
E então lendo a explicação sobre os vasos… Não parece natural acreditarmos que somos diferentes, que temos cada um os nossos méritos, o nosso esforço pessoal para amar a Deus? É claro que por eles mesmos nossos méritos não valem nada, mas associados aos méritos de Cristo eles têm valor.
Imagine… Como pode um assassino arrependido ter a mesma medida de amor a Deus que um homem verdadeiramente pio? Tendo experiências de vida tão diferentes como poderiam amar a Deus na mesma medida? Não posso crer… É claro que é possível que ambos ganhem o Céu. Mas o que amou mais terá mais da presença de Deus (seja o assassino ou o pio), embora isso não signifique que “falte” algo para aquele que amou menos… Os vasos de ambos estarão cheios por completo.
E se cada um de nós amamos a Deus em medidas diferentes, por que seria difícil acreditar que a Mãe de Jesus foi quem mais o amou? Quem amaria a Cristo como a própria Mãe?
Quem mais ama, mais participa de Deus.
E por que divago sobre isso? Porque me ocorreu algo estarrecedor… Que somos, católicos e protestantes, realidades completamente diferentes! A começar pelo que entendemos por “orar uns pelos outros”!
Quer dizer que o jejum, os sacrifícios, os louvores de quem ora por alguém não são para simplesmente agradar a Deus e alcançar Dele a graça desejada… Mas para unir os nossos méritos (que sequer sabemos da qualidade) aos méritos de Cristo e assim ajudar que aquele por quem rezamos possa estar mais aberto à graça?!
Uau. Estamos todos unidos de fato, não é só uma maneira de falar… Acho que acabei de me converter ao catolicismo e isto é praticamente um assombro.
Read Full Post »