
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Quando o senador Gim Argello (PTB/DF) declara-se cabo eleitoral da ministra Dilma Rousseff e garante que ela tenha espaço em um evento prestigiado por 140 mil pessoas – sem falar na audiência nacional que a transmissão do evento alcança – um questionamento parece natural: estaria a ministra fazendo campanha no evento?
Se estivesse, qual o problema? Talvez o menor possível. Mas quando se trata de um evento católico no qual a ministra, declaradamente favorável à descriminalização do aborto, muito além de “marca presença” é convidada a ajudar na Celebração litúrgica, ainda assim pode-se dizer que o problema é o menor possível?
As dimensões do problema parecem não caber no sábado, 06, quando a Canção Nova se permitiu contrariar a Instrução Redemptiones Sacramentum (n.46), surpreendendo o público com um ministra Dilma Rousseff servindo ao altar.
É natural afirmar-se que o apoio político faz parte das necessidades de uma grande obra. Mais natural ainda é acreditar que, em se tratando de uma obra religiosa, a coerência é medida para tudo, inclusive para as negociações políticas.

Reconhecimento Pontifício: Eto, Luzia e Gim Argello durante a Santa Missa na Basílica de São João de Latrão.
A Canção Nova conta com a amizade e o apoio do senador Gim Argello. Ele declara-se carismático e, de acordo com a assessoria dele, o senador foi “o grande articulador da romaria que desembarca na primeira semana de novembro, no Vaticano, em companhia de Monsenhor Jonas Abib, para receber das mãos do papa Bento XVI o reconhecimento pontifício da Canção Nova”.
Há sempre boas notícias relacionando o senador à Canção Nova. Dentre as mais recentes: “A convite do senador Gim Argello (PTB-DF/foto), do movimento católico Canção Nova, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) falará para meio milhão de pessoas, dia 6, num evento em Cachoeira Paulista (SP).”
Além de carismático, Argello declara ser, com entusiasmo, o cabo eleitoral da ministra Dilma Rousseff, como se pode ler nesta entrevista publicada no Jornal de Brasília:
Além do trabalho, a boa fase se daria também ao seu novo, e bom, relacionamento com o Governo Federal?
Eu sou base do governo, com muito orgulho. Sou presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sou Lula. E o senador da ministra Dilma Rousseff. Mais do que isso, sou o cabo eleitoral da Dilma. Ela é a próxima presidente do Brasil.De onde vem tanta certeza?
Porque a ministra Dilma Rousseff é preparada, tem toda uma história para estar onde está. Ela tem paixão pelo País. Eu vejo isso no contato diário (Argello costuma caminhar com Dilma algumas manhãs por semana).
Amigo da Canção Nova e amigo da Dilma Rousseff. Ao ver as imagens do sábado, 06, não dá para ter certeza de qual amigo o senador mais gosta. Mas dá para ver qual dos amigos do senador cedeu mais em nome do compromisso com essa amizade.
É bonito acreditar que a ministra está em boas companhias e que isso possa influenciá-la de um modo positivo. Mas ainda é possível acreditar que o convite feito à Dilma Rousseff, para que prestasse ajuda na Celebração litúrgica, foi meramente um equívoco? Sem esclarecimentos oficiais fica difícil saber.











