Feliz Natal

Desligue o celular. Deixe de lado o orkut, o msn, o google talk. Esqueça os comentários do seu flog, das visitas do seu blog, dos e-mails com apresentações em power point.
Desligue o ar-condicionado. Abra as janelas do quarto, do escritório e ouça a cidade.
Desligue o tocador de mp3. Ande de bicicleta ouvindo a si mesmo. Faça sua corrida na praia e ouça o ritmo do mar. Simplesmente converse com seus amigos sobre seus amigos, sobre você, sobre o ritmo do mar.
Desligue a TV. Saiba que não haverá melhor “especial de natal” que aquele que é especial todos os dias: sua família, as pessoas que te visitam com freqüência.
Desligue-se das cobranças pessoais, do perfume da moda, da camisa em promoção. Esqueça dos sapatos na vitrine. A maquiagem não é tão importante quanto a luz própria de cada pessoa.
Desligue o cartão de débito automático da carteira, se for sair. Vá a lugares simples, com atendimento caseiro e comida barata. Leia o cardápio, mas ouça o garçom falar… Ouça-o falar bem, ouça-o falar errado.
Desligue os pensamentos desconfiados e converse devagar. Coma devagar. Beba devagar. Use o guardanapo para enxugar as mãos, a boca, mas limpe-se na pia. Sinta a água fria. Mire-se no espelho.
Há uma infinidade de coisas no mundo prontas para facilitar a vida, para seduzir e concretizar um sonho. Elas fazem tudo. Mas não têm voz interior.
Aquela voz sobre a mesa do escritório, que enche os olhos, que chama pela vida lá fora só pra lembrar que há mais para além das paredes.
Aquela voz do fim do dia, que ecoa sobre uma cama confortável, que enche o quarto.
Coisas não substituem pessoas. Só pessoas têm voz interior. Escute.
Desligue a luz.
Acenda uma vela.
Seja artesanal: faça uma oração ao Cristo que nasceu no Natal.
Amém.
***
Mensagem do meu natal 2006. Confesso que gostei.
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