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Arquivo para 14 setembro, 2008


(Reuters/Mike Segar: Sarah Palin e o filho mais novo, Trig, com síndrome de down.)

É uma tolice esperar que o feminismo deverá manter para todo o sempre um casamento com a agenda pró-aborto. No pensamento moderno há pleno espaço para um feminismo pró-vida – que de fato deverá ter mais apelo nas culturas do terceiro mundo, nas quais a maternidade ainda é honrada e onde o modelo oriental da mulher executiva, dedicada à carreira profissional, é menos admirado“. – Camille Paglia, consagrada feminista americana, professora da Universidade de Artes da Filadélfia, em recente artigo no qual considera a feminista Sarah Palin exemplo de nova força ao movimento feminista americano.

90% das mulheres americanas grávidas de uma criança com síndrome de down cedem às pressões eugênicas: abortam o bebezinho. A governadora do Alasca e atual candidata à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, faz parte da minoria (os 10%) de mulheres que, sabendo da deficiência de seus bebês, escolhem não participar de qualquer movimento eugênico (que inclusive chegou ao Brasil e tem entre seus adeptos alguns ministros do STF) e decidem não abortar o diferente.

Só isto já bastaria para que qualquer um, qualquer uma, admirasse Sarah Palin. Para a feminista pró-aborto mais famosa dos Estados Unidos, Camille Paglia, não somente a corajosa escolha de Palin em dar a luz ao pequeno Trig merece admiração, mas também e especialmente o fato da candidata à (vice-)presidência dos EUA ser a feminista que deu vez e voz a um feminismo cerceado pela agenda abortista de um movimento feminista dogmático, representando assim uma “nova e poderosa força feminista”.

Camille Paglia defende o direito ao aborto e apesar disso afirma, sem constrangimentos, que em geral os grupos que defendem esse “direito” se esquivam do debate ético a respeito do assunto. Para Camille o aborto é, de fato, um assassinato, um extermínio do mais fraco pelo mais forte e não apenas a “interrupção do desenvolvimento de um monte de células e tecidos”.

Por essa razão a feminista pró-aborto considera que o movimento pró-vida, independente de suas influências religiosas, tem uma compreensão ética sobre o assunto bem maior que qualquer um que, como Camille, defenda o acesso irrestrito ao aborto.

Me parece incrível… Mas não é que existe gente honesta no lado negro da força? A sinceridade de Camille é tanta que ela é obrigada a considerar a própria natureza como “facista”, já que a natureza “castiga” todas as espécies com a procriação e seria, assim, um dever do ser humano, animal racional, derrotar o “facismo” da natureza (aposto que ainda vamos ouvir esse absurdo no STF…).

Importa os flashes de lucidez de Camille: os abortistas perderam essa eleição e novos juízes pró-vida serão indicados para a suprema corte americana. Enfim, quem sabe, viveremos para assistir o tombamento da lei do aborto nos EUA.

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