
A ciência é um espetáculo! Madonna Zatz sabe disso e renova os artifícios para garantir que o show continue. Recentemente a cientista-popstar subiu ao palco com ratinhos infartados socorridos por células-tronco de embriões.
“…[cientistas anglo-americanos] conseguiram induzir uma célula-tronco embrionária humana a se transformar em três tipos específicos de tecidos cardíacos, todos importantes para o funcionamento do coração”. Revista Veja, 30/04/2008
Do coração de um camundongo! Se deu certo com o roedor, dará certo com seres humanos. Óbvio! Mas não deu…
Na verdade alguns cientistas já usaram em seres humanos as células-tronco embrionárias que dão origem ao coração e que aparecem nos primeiros estágios do desenvolvimento embrionário – seja do camundongo, seja do homem -mas não houve cura de infartados com o tratamento que salvou o coração de um camundongo.
Os cientistas anglo-americanos que fizeram a Madonna da ciência tupiniquim se “curvar humildimente” há muito estudam o desenvolvimento embrionário do sistema cardiovascular, mas como as pesquisas sempre eram feitas com ratinhos, nunca se deu muita importância. Afinal, o que importa mesmo são os benefícios que as células-tronco podem concretamente trazer a um coração humano.
Benefício que a pesquisa com células-tronco ADULTAS tirou de letra. Basta dizer que, no Brasil, o embriologista Dr. Radovan Borojevic demonstrou que as células-tronco ADULTAS da medula óssea autotransplantadas em pacientes infartados produziu cardiomiócitos e novos vasos/artérias.
“Borojevic coordena a parte celular de um projeto para aplicação de células-tronco da medula óssea na recuperação do músculo cardíaco de pessoas enfartadas. A primeira fase de testes clínicos foi concluída em setembro, com 16 pacientes. ‘Os resultados foram espetaculares’, conta Borojevic. Em todos os pacientes, as células-tronco regeneraram parte do músculo cardíaco e induziram a formação de novos vasos sanguíneos. Quatro deles que estavam na lista de transplantes foram retirados da fila”. – O Estado de S. Paulo, 05/01/2003
Não estamos falando de roedores. As células-tronco adultas já fazem tudo o que está sendo mostrado no trabalho anglo-americano que motivou a mais recente aparição da popstar Madonna Zatz.
Existem mais estudos com células-tronco de embriões humanos que com células-tronco adultas. Na conta de Madonna Zatz são 6.999 publicações contra 1.376. Contudo, vale dizer que nenhum dos seis mil estudos sobre células-tronco embrionárias curaram um único ser humano!
Então, por qual razão a cura do coração de um camundongo merece a manchete “As embrionárias é que curam“?
O segredo: o estudo com o ratinho infartado foi financiado pela VistaGen Therapeutics, uma indústria de biotecnologia sediada em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos. Isto quer dizer que os cientistas anglo-americanos precisam justificar os investimento na pesquisa! Tanto assim que expandiram os estudos não só para o sistema cardiovascular, mas para o fígado, o sistema nervoso( doença de Parkinson,epilepsia), a cura do diabetes.
São 3 bilhões de dólares em jogo. Quem não quer perder parte deste financiamento, liberado pelo governo da Califórnia, tem que mostrar serviço – vale até cura do coração de um camundongo.
Pode ser que no Brasil alguém já esteja recebendo um “incentivo” para alargar a possibilidade dessas pesquisas com embriões. Conjecturas! Fato é que este queijo parece ser bem apetitoso.
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