
“Há crimes de paixão e crimes de lógica (…) Os nossos criminosos já não são aquelas crianças desarmadas que invocavam o amor como desculpa. Hoje, pelo contrário, são adultos, e o seu álibi irrefutável é a filosofia, que pode servir para tudo, até para transformar assassinos em juízes”. - Albert Camus sobre os criminosos de lógica.
Quem dera o ministro Carlos Ayres Britto, relator da ação que julga Lei da Biossegurança, tivesse como guru o filósofo Camus. Não é assim. O ministro adotou o guru maconheiro indiano Osho.
O guru de Britto se definia como um vagabundo instruído, defendia o sexo livre, esbanjava dinheiro em seus 93 modelos de Rolls Royce e, é claro, pregava a paz e previu que o mundo acabaria em 1997.
Britto é um homem místico. Osho é seu guru. Para Osho o aborto era uma virtude! Estas são palavras do guru de Britto:
“Aborto não é um pecado. Aborto é uma virtude neste mundo superpovoado. E se o aborto fosse pecado esse Papa polaco e Madre Teresa e companhia tinham que ser responsabilizados por isso porque eles são contra contraceptivos, são contra os métodos de planejamento familiar, eles são contra a pílula. São estas pessoas as verdadeiras causas de todos os abortos, eles são os responsáveis. Para mim eles são grandes criminosos.” – Osho em escritos pessoais a respeito de Madre Teresa.
Ayres Britto votou a favor das pesquisas de ficção científica com embriões humanos e defendeu que a vida começa com o nascimento, abrindo caminho para a legalização do aborto no Brasil.
Obviamente o voto de Britto nada teve a ver com misticismo. O pedido de vistas do ministro Carlos Alberto Direito, católico, que “congelou” o julgamento da pesquisa de ficção científica referente a células-tronco de embriões, este sim teve a ver com misticismo. Por que mesmo? Porque Direito é católico.
O guru de Britto era abortista. Os jornais que lembraram com entusiasmo do catolicismo de Direito esqueceram do misticismo de Britto. No mínimo um preconceito contra filosofias orientais! Se o estado é laico, por que valorizar o catolicismo de Direito e deixar de lado o “oshismo” de Britto?
Talvez os jornalistas não conheçam Osho. Mas uma rápida leitura nos escritos do guru resolve o problema.
Para Osho o aborto é uma virtude. E para o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto?

Ah, bom!
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