Aprendi na faculdade que em certos ícones não podemos tocar. Não adianta! Não se pode criticá-los, expor seus conflitos, interrogá-los. Eles têm uma força simbólica capaz de anular toda força em contrário, capaz de tornar mesmo o neutro em positivo.
São os messias midiáticos. Eles existem e não há nada a fazer senão contemplá-los ou ignorá-los.
Padre Jonas Abib é um desses messias midiáticos. Já o vi de perto. Impressiona, impressiona, impressiona. Desculpe, mas eu preciso dizer, meu filho, minha filha, impressiona.
Atualmente o Papa Bento XVI concedeu ao Padre Jonas Abib o título de “monsenhor”, a pedido do bispo de Lorena-SP, Dom Benedito Beni dos Santos.
A entrega do título acontecerá na quarta-feira, dia 17, às 20h, numa Missa na sede da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).
Os tradicionalistas vão dizer que o Papa não quis homenagear, quis controlar, quis advertir, algo do tipo. E mesmo que fosse uma homenagem, não seria “dogmática”! Essas coisas de tradicionalistas.
Os progressistas vão dizer que… Bah… Quem ouve os progressistas?
Os carismáticos não vão dizer nada. Vão louvar, dançar, cantar e rezar. Muito natural e justo.
Está tudo em ordem, como antes.
Então, parabéns ao Padre Jonas Abib, agora monsenhor. Deus abençoe!
“Eu tenho um sonho: que um dia as pessoas não serão julgadas pela religião a que pertencem ou a que deixam de pertencer, pelos deuses em que acreditam ou em que deixam de acreditar, mas pela força de seu caráter”. – Daniel Sottomaior, ateu militante que questionou a sanidade mental de quem acredita em Deus, que participa da ONG Sociedade da Terra Redonda (inspirada na banda Bad Religion, que ostenta símbolo jocoso ao cristianismo) e que luta para apagar os sinais do catolicismo nas repartições públicas do Brasil.
A frase de Martin Luter King é um clichê. Todo mundo diz “eu tenho um sonho”! Seja para o bem, seja para o mal. É uma frase eficaz em discursos patéticos (um tipo de discurso persuasivo).
Persuasão, aliás, não é um termo novo para Daniel Sottomaior, ateu militante que não poupa esforços na luta pelo “direito dos ateus” (não basta ser cidadão para ter direito?). Infelizmente ele não deixa isso claro aos religiosos que, persuasivamente, convida para apoiar a iniciativa anti-católica “Brasil para Todos”.
Anti-católica, sim, uma vez que objetiva retirar imagens de santos católicos de repartições públicas ou mesmo impedir exposições temporária dessas imagens em tais repartições. As imagens dos deuses pagãos, comuns em qualquer repartição pública, não sofrem qualquer tipo de perseguição por parte de “Brasil para Todos”.
Imagens de deuses pagãos também são imagens religiosas, embora, nas repartições públicas, ninguém seja obrigado a venerá-las. Se bem que ninguém é obrigado a venerar as imagens sacras do catolicismo (nem mesmo os católicos)… E se não há obrigação, não há imposição.
Crentes e ateus prestigiaram o evento. Daniel Sottomaior, o ativista ateu, esteve lá e discursou contra uma sociedade que trata os ateus com preconceito. Para Sottomaior, dizer que “bandidos não têm Deus no coração” é o mesmo que dizer que ateus são bandidos.
Eis a imagem de uma vítima do preconceito contra a minoria (nem tão minoria assim, segundo Sottomaior) de ateus do Brasil. Repare como a vítima sofre ao apontar um crucifixo na parede de uma repartição pública:
Salmo do dia: “Diz o insensato em seu coração: Não há Deus”. (Salmos 13,1)
Alguém tem sugestão para o significado de “insensatez”?
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