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Arquivo para 8 agosto, 2007

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“Os tradicionalistas conseguiram o que queriam, ou seja, a supressão para eles de algumas regras do Vaticano II e a volta ao rito de São Pio V, de antes deste Concílio. E estão na plena paz e comunhão com a Igreja. (…) Se cremos que é possível um sacerdócio casado, ou seja, se cremos que é possível o exercício do sacerdócio conjugado com a vida familiar, conforme está na Bíblia, temos o dever de não nos acovardarmos por trás de frases de efeito e argumentos falaciosos que só servem para esconder a nossa covardia”. - Padre Paulo Lúcio, no artigo Um Bispo para o Movimento dos Padres Casados.

Ensinam os rad-trads (os tradicionalistas): ser fiel à Igreja é combater a Igreja até que a Igreja atenda o pleito que fizermos. Esse é o exemplo que alguns querem seguir, como é o caso do padre Paulo Lúcio, casado há 24 anos, que citou a frase acima no site que defende o Movimento dos Padres Casados (MPC).

Esse movimento trouxe o ex-Arcebispo Emmanuel Milingo para o Brasil, em março de 2007, pela ocasião da 1ª Conferência Nacional do Movimento dos Padres Casados, realizado em Atibaia (SP).

Emmanuel Milingo foi excomungado da Igreja Católica em setembro de 2006 por consagrar bispos casados egressos de “igrejas” dissidentes da Igreja Católica. Ele era arcebispo emérito (aposentado) de Lusaka, na Zâmbia (África).

Em 2001, Milingo casou-se com Maria Sung, durante cerimônia realizada na Federação da Família para a Paz Mundial e a Unificação (conhecida também por Igreja da Unificação) pelo reverendo coreano Sun Myung Moon. De acordo com o site da Igreja da Unificação, cabe ao reverendo completar a missão de Cristo, que estaria “incompleta com a morte na cruz”.

E em 2007 ei-lo no Brasil, servindo de inspiração espiritual e orientação do MPC. Milingo é o homem que veste preto e usa estola lilás, na foto acima. A mulher de branco, ao lado dele, é a esposa dele, Maria Sung.

Alguns padres casados, como Padre Lúcio, desejam que o MPC tenha seu próprio bispo (sua própria igreja?):

“É que sinto que não virá nenhuma mudança de cima para baixo, se antes não pressionarmos das bases. Por isso insisto que, no meu entender, o MPC precisa de um Bispo. (…) A rigor, penso que Roma nem sabe que existimos. Nós não incomodamos em nada. (…) Não sei se esse bispo será Dom Milingo ou alguém saído do próprio MPC”.Padre Paulo Lúcio.

Eu também não sei. Mas, explico o que acontece: no MPC existem padres casados que não desejam mais celebrar missas, não desejam “voltar ao ministério”. Mas também existem aqueles que querem “voltar ao ministério” e para isso estão dispostos a seguir os passos dos irmãos tradicionalistas.

Passos que, nas palavras do Padre Paulo Lúcio, significam: “exercer pressão cerrada contra Roma, como os tradicionalistas fizeram, mesmo que tenhamos de enfrentar a excomunhão”.

Dos frutos do “catolicismo” tradicionalista radicial… Livrai-nos, Senhor!

A propósito…

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