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Arquivo para 24 março, 2007

É praga mesmo!

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Ok! Eu levei algum tempo para me convencer de que não houve erro de tradução. É sobre toda a polêmica em torno das palavras do Papa Bento XVI a respeito do divórcio ser uma praga… Bom, eu disse que polêmicas são estratégias que atraem inclusive a sustentação de quem se ressente com o que for polemizado! Polêmicas mexem com a gente principalmente quando miram em sentimentos caros, como o sentimento religioso.

Quero, então, corrigir a minha pressa em sustentar os valores traduzidos no discurso de Bento XVI, sem me deter na possibilidade de estar apenas sustentando a tal polêmica… Senhores o divórcio é, sim, uma praga! Não houve qualquer erro de tradução! A má interpretação da mídia (a desinterpratação?), sim, foi real e direcionou a atenção de todos – TODOS! – para a polêmica.

Reitero que o Ratzinger não praguejou qualquer coisa contra os divorciados. Falou contra o divórcio que faz do casamento qualquer coisa de sentimento e mesmo contrato… Engraçado é que os críticos agora dizem que a Igreja prega um casamento de contrato.

Com todo respeito à idade, carreira e titulações dos cronistas, articulistas e palpiteiros de plantão: tornar o casamento um mero contrato é justamente o que faz a mentalidade de divórcio! É claro! Se é só um contrato, pode ser desfeito, ainda que implique em complexidades jurídicas (cada vez menores para quem quer se divorciar, aliás!). Sacramento não é contrato e não pode ser desfeito.

Mas sobre isso de divórcio ser praga, mesmo nosso carismático João Paulo II já dizia tal coisa e nunca houve tanta polêmica assim, por isso… Pois é, o estigma “POP” atrai um tratamento bem diferente do estigma “REACIONÁRIO”. E não quero dizer que seja um tratamento melhor, tratando-se de Papas e de mídia… Bom, deixa pra lá.

Em 1981, João Paulo II mencionava que o divórcio é uma praga. Oficialmente, pode-se constatar isso na Exortação Apostólica Familis Consortio, assinada por ele:

http://www.biblia.inf.br/enciclica/familia_consortium.html
(…)

  • e) Divorciados que contraem nova união
  • 84. A experiência quotidiana mostra, infelizmente, que quem recorreu ao divórcio tem normalmente em vista a passagem a uma nova união, obviamente não com o rito religioso católico. Pois que se trata de uma ***praga*** que vai, juntamente com as outras, afectando sempre mais largamente mesmo os ambientes católicos, o problema deve ser enfrentado com urgência inadiável.

    Nenhuma novidade! Mas, como as atenções estavam voltadas para a polêmica, qualquer referência anterior ao pensamento da Igreja sobre divórcio passou meio que batido, sob as lentes dos discursos gerados pela polêmica. Mesmo a CNBB (bom, não estou tão surpreso… mas isso é outro assunto!) lamentou um erro de tradução que não houve!

    E nestes dias de convencimento pessoal recebi a colaboração do Claudemir Júnior:

    Na verdade, o divórcio seguido de uma segunda união é uma praga mesmo. Não adianta querer aliviar. Mas, é uma chaga também.

    A palavra latina *plaga* pode significar tanto “chaga” quanto “praga”. Desta ambiguidade temos as traduções diversas mundo afora. Em alguns idiomas, assim como no português, tivemos o termo traduzido como “praga”, em outros idiomas o mesmo termo foi traduzido como “chaga”. E, pelo que me consta, nenhuma das traduções estão erradas.

    Mesmo assim, acredito que o Santo Padre, nesta ocasião, quis referir-se ao termo “chaga”, no sentido de “ferida”, “cicatriz”, “úlcera”, enfim. Ainda assim, a tradução para o português não estaria errada, pois, como podemos observar no dicionário Houaiss o vocábulo “praga” possui várias acepções, conforme podemos ver abaixo:

    Praga

    *Acepções*
    ■ substantivo feminino
    1 Diacronismo: antigo. FERIDA, CHAGA
    2 imprecação, maldição
    3 desgraça coletiva de grandes proporções; calamidade, flagelo
    4 grande quantidade de coisas importunas ou nocivas
    Ex.: p. de gafanhotos, p. de mosquitos
    5 indivíduo ou coisa que aborrece, irrita, importuna

    (entre outras)

    Entretanto, toda confusão é causada por conta da tendência gnóstica que se tem de restringir os vocábulos a alguns poucos significados, deixando outros significados de lado. E, quando se pensa praga, se pensa logo em “maldição”, ou então em “desgraça coletiva”, ou “grande quantidade de coisas importunas ou nocivas”, mas, quase nunca em “chaga” ou “ferida”. Desta forma, o termo
    parece soar distante do tal “politicamente correto”.

    Se o Santo Padre, por um ou outro motivo, quisesse realmente dizer “praga” no sentido mais conhecido e restrito do termo, creio que teríamos uma imprecisão de tradução caso o termo fosse traduzido em português como “chaga”, pois, ao que me consta, “praga” pode significar “chaga”, mas não creio que o contrário se aplique, ou seja, não creio que “chaga” seja tão abrangente quanto “praga”.

    De qualquer forma, quem traduziu não errou. Erra quem diz que o divórcio seguido de segunda união não é uma praga.

    E, por fim, agora sou eu quem recorre ao tradutor das palavras do Papa Bento, numa tentativa de amenizar os milhares de anos no purgatório que devo enfrentar. Ai, Jesus! :)

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    Conheça o Cristian

    Qual a primeira coisa que você faz quando acorda? O Cristian Jurado Correa, quando acorda, toma um medicamento e passa meia hora sentado para aguentar as dores decorrentes da espondilite. Justamente para mudar suas manhãs e a vida dele (e também vencer as dores que sente quando se movimenta) o Cristian tenta convencer o Governo brasileiro a pagar um tratamento que o ajude a melhorar de vida.

    Mais sobre a realidade do Cristian no blog dele:http://cristianjuradocorrea.blogspot.com/

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    Conheci o imortal Carlos Heitor Cony no tempo que a Ana Maria Braga usava luvas numa tentativa de impor a personalidade dela frente à Globo. Sim, todos nós temos fatos risíveis em nossas vidas! Mas então, conheci o Cony e ele sempre escrevia um pensamento para o programa da Ana Maria… Esses dias invoquei com a Ana Maria, não sei bem a razão! Mas sobre o Cony, jornalista, autor de diversas crônicas e vencedor do prêmio Comissão de Anisitia… Bom, ganhar uma pensão no valor de R$19 mil mensais por conta de seis (ou oito?) prisões durante o regime militar, pra toda vida, é um bom prêmio! Um prêmio que faz a gente pensar… Um prêmio que permite que o Cony pense com tranquilidade. Aquela história: pago para pensar. E ele abre os pensamentos nas páginas da Folha de S. Paulo. Na sexta-feira, 23, o Cony resolveu escrever sobre ecologia e quase, por pouco, faria aquele trocadilho de “preservar a natureza humana”. Na verdade ele fez! Deu uma disfarçada… Falou de “defesa das áreas humanas”. Tudo bem! Valeu o esforço de evitar abertamente o trocadilho. Bom, vou colocar aqui excertos do texto:

    Verde que não te quero verde
    Enquanto a divisão entre os bons e os maus prevalecer, não adianta defender o verde
    (…)
    Na França, um grupo de radicais da ecologia ameaçou matar três pessoas (escolhidas aleatoriamente entre escolares, comerciantes e profissionais liberais) a cada árvore que fosse derrubada.

    É um ponto de vista (e de ação) respeitável, mas que eu considero infantil.
    (…)
    Para recuperar as áreas verdes, a liberdade, o sol e o ar puro, precisamos de uma das seguintes soluções ou de todas: 1) destruir a humanidade inteira; 2) impedir que surja uma nova humanidade; 3) revogar-se as disposições em contrário.
    (…)
    Nos tempos bíblicos, o Senhor achou que a iniqüidade dos homens já enchera o seu divino saco e apelou para o dilúvio.
    (…)
    Talvez nasça depois disso tudo um novo tipo de homem que não se meta a besta nem se julgue o Rei da Criação.
    (…)
    Pois o mal está nisso: como todo rei, o homem entende muito pouco de seu reino. E seu reino não está no verde da paisagem ou no sol do firmamento. Seu reino está em seu coração, como se lê em Lucas, em não sei mais qual versículo.

    O final do texto foi um desafio. Mas achei o versículo! Ei-lo: São Lucas 27, 20-21: “O reino de Deus não virá de um modo ostensivo. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou, Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está dentro de vós”. Cony, como bom cristão, aproveitou a oportunidade de um texto sobre a natureza humana para falar de eventos bíblicos, entre uma ironia e uma blasfêmia. A Folha, aliás, está muito bem servida de autores cristãos, inclusive católicos! Alguns, menos sutis que o Cony (e menos ricos!), falam mais abertamente sobre fé. Nesta semana teve um teólogo que ensinou meio mundo de leitores a perceber como a Igreja é inimiga do casamento. Esperemos em Deus que o texto do autor linkado seja apenas mais um daqueles fatos risíveis da vida, em especial da vida dele. Mas, fato é que o Cony ironizou sobre grupos radicais de ambientalistas e todo discurso de engajamento ecológico que ignora algo simples: a preocupação com o reino do homem já está no coração do próprio homem, não necessitando de muletas de engajamento. Bom, dizem que aqueles que gostam dos livros do Cony, não gostam das crônicas dele e vice-versa. Nessa sexta-feira, até que ele me fez pensar.

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