Eu me perguntava se iriam deixar o Papa Bento XVI em paz durante a vinda dele ao Brasil.
Uma rápida retrospectiva… Bom, depois que o mundo reverenciou João Paulo II na trilogia “agonia, morte e exéquias”, os intelectuais do lado esquerdo do cérebro mundial se deram conta de que esse papo de “deixa o Papa falar, o importante é mostrar que ele não faz parte da realidade, que ficou ultrapassado” não ia mais colar. Aí anunciaram… “Habemus Pappam”. Era o Bento. E a reação da mídia foi urgente.
Nas intrépidas redações de jornais, tvs e sites… “Como que é? É pra dizer que ele é reacionário? Mas chefe, ainda usamos isso?!” Pois é, tava meio fora de moda, mas era uma questão de ganhar tempo. “Coloca, depois a gente vê no que vai dar…” Sim, senhores, existem processos mais nojentos que a fabricação das linguiças, salsichas e derivados.
Pense rápido meu lado esquerdo! Tava na cara que “reacionário” era muito ideológico e, hoje, todo mundo já sabe que o negócio é diluir o discurso ideológico. “Vamos dizer que ele apenas não tem carisma”. Pensaram alto… “Carisma?” Sim. João Paulo II tinha carisma! Bento XVI não tem carisma. João Paulo II era do bem e tinha carisma. Bento XVI não tem carisma, será que é do bem?
Aí está o pulo do gato. Não interessa dizer o que o público deve pensar, mas SOBRE O QUE ele deve pensar! E foi assim que direcionaram a atenção para uma pergunta que os meios de comunicação não fizeram, mas também nem precisaram fazer: “Será que Bento XVI é um Papa do bem? Como, se ele não tem carisma?”
Medo.E não precisaram perguntar mesmo. Afinal, eles tinham as imagens, tinham documentos, tinham depoimentos. “O Papa é um intelectual alemão… Blá blá blá nazismo… Blá blá blá foi contra a teologia da libertação que defendia os fracos e oprimidos… Blá blá blá polêmica, Bento XVI era o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o atual Tribunal da Inquisição da Igreja Católica… Buuu!”
O alarme dos assessores católicos soou. “Alerta geral… A imagem do Papa vai mal…” Sim. E como resposta, uma encíclica chamada “Deus é Amor”. Talvez ninguém lembre mais. Só que saiu no Jornal Nacional.
Bonner:”Bento XVI escreveu que muito se fala sobre este sentimento, mas que, por excelência, o amor é entre um homem e uma mulher, porque somente assim é possível formar uma família”.
Fátima:”Para o Papa, a Igreja não suprimiu o erotismo e o verdadeiro amor une corpo e alma”.
Lindo. Propaganda boa. Mas não iria durar muito, o povo nem lê encíclica mesmo… A saída era contratar o Mel Gibson e pedir um filme bacana, bem católico, mas com menos sangue, ainda que isso soasse contraditório.
Mas não chamaram o Mel Gibson. Em vez disso, inventaram de chamar a Daniela Mercury para cantar para o Papa… Tem coisa que não tem explicação. “Ela defende o uso irrestrito, ilimitado, incondional da camisinha!!!” Teriam dito os jesuítas que programavam o concerto de natal, no qual a cantora participaria. Apesar de que acho muito estranho isso tudo… Como que os promotores do tal concerto não sabiam que Daniela Mercury e a camisinha, a camisinha e Daniela Mercury? Acho difícil… Mas foi a versão mais difundida. Teve uma também sobre uma entrevista em que a cantora teria dito que entregaria ao Papa um livro com uma camisinha dentro e coisa e tal. O que, obviamente, acarretaria no cancelamento da ida de Daniela ao concerto.
Não importa. Camisinha, minha gente. Ca-mi-si-nha. É claro! “Que adianta provocar a imaginação sobre a falta de carisma do Papa?! Isso é tão, tão, tão tchun… Precisamos de algo mais tchan! Tchan, tchan, tchan, tchan”.
Ok. O lance da camisinha é interessante porque é algo que todo mundo já conhece. Algo, aparentemente, livre de ideologia. É coisa prática, “necessária”, um ÍCONE!!! Melhor que imagem, só mesmo um ícone. Em resumo, a imagem remete a uma idéia, a uma sensação, a algo não necessariamente real como uma outra imagem! Tudo isso demanda um certo grau de reflexão… Os ícones são mais práticos. Bateu, levou. Não tem essa história de certo grau de reflexão.
Sem intelectualismo barato. A camisinha funciona como aquela frase “isso é do seu interesse!” Quando alguém é contra o interesse pessoal de outra pessoa, em geral, é considerado – no mínimo – como indesejado, uma voz que não se quer ouvir, que não se leva a sério. Claro que, nem sempre é assim… Vai depender do que se trata o tal interesse pessoal. No caso da camisinha, temos ou não algo que realmente desperte “indesejos”?
Não sei. Teimo em achar que ninguém seja tão tolo ao ponto de execrar um líder religioso por causa de sexo… Mas sempre há vozes dissonantes. Talvez muitas vozes! Fato é que a questão serve ao menos de ruído na comunicação, no prestígio do elemento contrário a certo desejo pessoal (sexual…). E isto ajuda muito na tal coleção de imagens que fará parte da grande e atemporal agenda de negatividades, que reúne vários “ruídos”, até existir uma oportunidade para expor toda a coleção de modo a dar relevância a um fato negativo com capacidade – ao menos virtual – de gerar um bom desastre na imagem positiva do alvo que se escolher.
Sandy e Júnior. Ufa! Enfim a explicação – apenas por desencargo de consciência, porque já deu pra sacar, né? – para o video da Sandy… Ela e o irmão cantariam no encontro do Papa com os jovens, em maio. “De repente”, como fizeram crer, não vão mais porque “não acreditam que tem gente que não usa camisinha!”
Muito suspeito, obviamente… Será que, mais uma vez, a organização não sabia disso? Não é bíblico, mas todo mundo sabe que insistir no erro é…
Agora, pouco importa. Foi dada a largada para a polêmica… O tal do gancho! E daí para vermos notícias de jovens católicos se engalfinhando com manifestantes contrários a Bento XVI ou qualquer outro evento que venda notícia e que mostre como foi desastrosa a visita do Papa… Tecnicamente, depois de um gancho, é possível.
“Essa é mais uma história do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do mundo da lua, onde tudo pode acontecer”
Vai rindo.
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
Post Scriptum: E tem outra discussão sobre isso, aqui.













Ou chorando.
O caso eh q a Igreja não eh contra a camisinha, ou seja, não eh para tds transarem sem camisinha, ela prega a abstinência e sexo soh depois do casamento, ora!
Houve erro na tradução. O Papa não disse que o segundo casamento é uma praga, mas sim que é uma ferida, ou é dolorido ou é uma chaga. A palavra piaga não é praga. Agora porque a midia nacional não faz a devida correção ao público? Simples, a grande midia nacional está nas mão de muçulmanos, maçonaria, judeus, etc.
A Igreja é contra a camisinha sim! não é a toa que o cardeal Majella disse no Fantástico “Nós não podemos concordar com a camisinha porque ela torna a vida em uma vida sem responsabilidade (religiosa)”
!!!!
e a responsabilidade social ??
desculpe pelo erro. Geraldo Majella não é cardeal, e sim, Dom.
Paulo, não houve erro não. A tradução estava correta.