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Vinde a Mim

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Jornal Valor Econômico, 30 de março de 2007

A opção pela elite
Por Marília de Camargo Cesar

Como o manda-chuva de uma multinacional pesada e burocrática, que enfrenta quebra do monopólio, perda de participação de mercado, lucros declinantes e sérios problemas de recursos humanos, o papa Bento XVI chega ao Brasil em maio para ver de perto o que deu errado com o catolicismo no maior país católico do planeta. E vai tentar definir uma estratégia para reverter uma crise de inéditas proporções em sua igreja aqui e em praticamente toda a América Latina.

Não que o navio esteja afundando. Mas não é de hoje que está entrando água no barco da Igreja Católica Apostólica Romana na região. No Brasil, a situação é mais dramática. O rebanho encolhe ao ritmo de 600 mil católicos a menos por ano, o que dá 6 milhões de ovelhas na última década. Num território que já foi 95% católico, o porcentual hoje é de 73% e cairá para 65% até 2010, segundo projeção do antropólogo Pierre Sanchis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O movimento é global e mais acentuado na América Latina. Chile, Guatemala, Honduras, Costa Rica e, mais recentemente, até a Argentina são exemplos de nações que estão aderindo ao cristianismo de resultados, menos hierárquico, mais pragmático e muito mais barulhento, ensinado pelos evangélicos pentecostais. Estudiosos como o sociólogo David Martin, professor emérito da London School of Economics (LSE), já falam numa “explosão protestante” na América Latina. O teólogo Faustino Teixeira menciona uma “revolução pentecostal”. O papa vai precisar de mais fé.

A conversão de católicos para o protestantismo é apenas um dos motivos da inquietação na Igreja Romana. É cada vez mais comum entre os brasileiros assumir uma fé sem vínculos a instituições. É o que Teixeira chama de “crer sem pertencer”. “Uma desinstitucionalização crescente”, afirma o teólogo, que coordena o Programa de Pós-Graduação de Ciência da Religião na Universidade de Juiz de Fora (MG). É diferente, por exemplo, do que ocorre com os católicos na Europa. Ali, eles estão simplesmente abandonando a religião rumo ao secularismo.

Outro pesadelo é a ascensão do islã. Os muçulmanos já formam a segunda força religiosa do globo, com 1,3 bilhão de praticantes, 22% da população mundial. Mas esse não é um problema com o qual Bento XVI tenha de se preocupar nesta visita ao Brasil. Não por enquanto.

Diagnóstico e remédio

As razões que levam cada vez mais fiéis a se afastar da paróquia são diversas e estão sendo estudadas por sociólogos, antropólogos, teólogos e cientistas políticos brasileiros e estrangeiros. Secularização, migração do campo para a cidade, o fenômeno da mídia de massas, todos são fatores apontados como influências importantes. Mas a própria igreja ainda não tem um bom diagnóstico sobre o assunto. Segundo Fernando Altemeyer, professor e ouvidor da PUC-SP, a quinta conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que será aberta por Bento XVI em Aparecida (SP), terá como missão produzir esse raio X. “Não dá para dizer que [a crise] é só por uma questão de linguagem ou só por uma questão de estrutura de atendimento pastoral. A igreja precisa descobrir qual órgão está oferecendo esse mal-estar. É interno ou externo? É questão de marketing, de identidade? Depois do diagnóstico, então se discute qual é o melhor remédio”, argumenta Altemeyer.

“Não há dúvida de que Bento XVI modelará, com seus pronunciamentos [no Celam], o perfil da Igreja Católica na América Latina. O quanto haverá de rejuvenescê-la ou envelhecê-la, o tempo dirá”, comenta Frei Betto em artigo recente para o site Vida Acadêmica.

Os católicos podem não ter ainda um quadro claro sobre a doença que acomete a sua igreja. Mas os pesquisadores têm boas pistas do que está acontecendo.

Os movimentos migratórios parecem mesmo estar no centro do problema. A urbanização crescente tira o migrante de um Brasil rural e católico e o leva para as periferias cada vez mais pentecostais das grandes cidades. Ali, em bairros muito pobres como Nova Iguaçu (RJ) e Ermelino Matarazzo (SP), onde a mão do Estado inexiste, o recém-chegado vai precisar de uma boa medida de fé para enfrentar a lei do mais forte, a violência, o tráfico de drogas e o desemprego. Ele chega católico e, ao perder o vínculo com a família e as tradições, entra em contato com uma estrutura mais ágil que o ensina a ler a Bíblia, a ter disciplina e lhe oferece apoio social imediato.

“A Igreja Católica é lenta para acompanhar esse movimento”, explica o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC-Rio. Um dos autores do melhor mapeamento das religiões no Brasil, o “Atlas da Filiação Religiosa”, e o mais recente “Religião e Sociedade em Capitais Brasileiras”, Jacob vê um elemento de discriminação nessa tendência. “O fenômeno pentecostal não está associado à pobreza, mas à segregação. A pessoa não se converte por ser pobre, mas por ser segregada”, acredita.

Ele prova a sua tese apontando para mapas dos Estados e das grandes capitais brasileiras. Em todos, observa-se o predomínio de evangélicos habitando os bairros mais pobres das periferias, enquanto nas regiões centrais prevalecem os católicos romanos. Nas regiões de fronteira agrícola isso é ainda mais marcante. Não é por acaso, acredita Jacob, que a Campanha da Fraternidade deste ano destaca a Amazônia. Segundo o atlas, a maior perda de influência católica entre 1991 e 2000 deu-se nas regiões Norte e Centro-Oeste, notadamente nas cidades de Rio Branco, com quase 20% de redução de fiéis, Porto Velho (-18,5% ) e Manaus (-16,5%).

O estudo revela ainda que a renda é mais alta e a pele é mais clara onde moram os católicos. “A igreja que diz ter feito a opção preferencial pelos pobres vê os pobres fazer a opção preferencial pelos pentecostais”, resume Jacob. Procurada pela reportagem do Valor, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não quis se manifestar.

A igreja pentecostal é uma ramificação protestante que busca as manifestações sobrenaturais do Espírito Santo, como o falar línguas estranhas e as revelações proféticas. Já os neopentecostais somam a isso um discurso focado na prosperidade material.

Línguas de fogo

Há quem veja com bons olhos essa mudança. David Martin, da London School of Economics, afirma que essa conversão tem um impacto psicológico, econômico e social inquestionavelmente positivo. Para o sociólogo, autor de “Tongues of Fire: The Explosion of Protestantism in Latin America” (Línguas de Fogo: A Explosão do Protestantismo na América Latina – Oxford: Basil Blackwell, 1990) e de “Pentecostalism: the World Their Parish” (Pentecostalismo: O Mundo, Sua Paróquia – Blackwell Publishing – 2002), essas igrejas estão ajudando a reconstruir uma sociedade em que o indivíduo volta a ter importância.

Os novos “irmãos” ajudam a pessoa a ser responsável por si mesma, o que a torna mais confiável, ao ensinar que é possível chegar a Deus sem a intermediação do padre ou de santos e ao desafiá-la a abandonar vícios, a pagar dívidas e a restabelecer laços familiares quebrados. “Em pequenos grupos, eles assumem a assistência mútua e se encarregam da própria salvação, no sentido material, sem a necessidade de intermediação da igreja. Eles estão fazendo o trabalho por si mesmos.”

Não há indicadores econômicos que consolidem essa visão, embora inúmeras teses antropológicas estejam sendo escritas sobre esses nichos pentecostais. Mas Martin garante que o impacto é grande. Só por desistir do que ele chama de “típico fim de semana de homem”, com cachaça, futebol e mulher, “a renda do sujeito praticamente já dobra”.

Jacob, da PUC-Rio, desconfia que esse ambiente favoreça os políticos oportunistas, os narcotraficantes e os pastores inescrupulosos. Martin contemporiza. “Não existe nenhuma grande organização que sobreviva sem dinheiro. Essas megaigrejas realmente são megaempreendedoras religiosas administradas em bases comerciais. Você dá uma boa quantia de dinheiro para a igreja, mas do ponto de vista da igreja isso é parte do investimento. Você investe e tem o seu dinheiro de volta em melhorias no seu estilo de vida.”, afirma o pesquisador da LSE.

Teixeira, da Universidade de Juiz de Fora, que é católico, também tem uma opinião favorável. “Essas pessoas que vivem no fundo do poço encontram nos núcleos pentecostais uma forma de afirmação da sua dignidade e cidadania.” Segundo ele, estudos antropológicos apontam como resultados dessa integração em pequenos grupos a reconstrução das famílias, a libertação da dependência alcoólica e de drogas. “Cria-se um espaço de escuta do sofrimento e de acolhida, com a força do Espírito”, afirma.

Nem todos os evangélicos estão comemorando. Crítico do movimento neopentecostal e do evangelho “light”, o teólogo, escritor e pastor batista Ed René Kivitz acredita que muito em breve os evangélicos vão experimentar o que os católicos estão provando hoje, ou seja, a fuga dos bancos da igreja.

Kivitz, que dirige a Galilea Consultoria e Treinamento – um centro de debates sobre aspectos atuais da espiritualidade -, questiona a qualidade e a profundidade da experiência oferecida por pastores que atraem a ovelha com promessas de equilíbrio financeiro sem ensinar também os princípios mais importantes da doutrina cristã, como a auto-negação e a humildade.

“A crítica que os evangélicos faziam aos católicos antigamente, de que tinham uma fé sem consistência porque não estudavam a Bíblia, volta-se agora para eles mesmos. Vemos surgir uma liderança evangélica que é essencialmente proselitista e não tem uma ação pastoral. E proselitismo sem uma ação pastoral é um verdadeiro bumerangue, vai se voltar contra essa liderança”, observa Kivitz.

Enquanto essa profecia não se cumpre, a Igreja Católica terá que se esforçar mais para reverter a perda de prestígio. Uma das saídas seria agilizar a oferta de padres para dispor de mais mão-de-obra para o trabalho. É uma batalha árdua. Enquanto para ser pastor basta ser treinado numa igreja sem necessariamente ter que estudar teologia, o vigário investe em geral de sete a oito anos em sua formação acadêmica. Primeiro, faz faculdade de filosofia e de teologia. Depois de ordenados, muitos ainda seguem para Roma, para especializar-se em liturgia. “Muitos pastores são formados no dia-a-dia da comunidade e simplesmente aprendem a reproduzir os discursos que escutam”, afirma Kivitz. “É uma liderança adestrada, que não desenvolve competências.”

Sílvia Fernandes, socióloga, professora-adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e consultora do Ceris, um centro de pesquisas ligado à CNBB, observa mudanças na formação dos padres, especialmente no movimento de Renovação Carismática, que tem catalisado novas vocações. Mas ela não sabe se essa mudança forma um clero mais eficaz. “O que se questiona é o perfil desse novo clero, que tem se mostrado mais espiritualista e menos implicado nas transformações sociais, criando menores vínculos entre fé e mudança social, como pretendia a Teologia da Libertação.”

Se no departamento de recursos humanos a coisa anda meio empacada, outra saída seria melhorar o diálogo com as outras vertentes cristãs, a fim de reduzir tensões. Mas nesse quesito também parece não haver muito progresso. Por que se vêem como a única igreja verdadeira e consideram todas as outras como dissidências, a conversa com os católicos fica sempre comprometida. Até representantes da Igreja Anglicana, que é meio católica na forma, mas bem protestante no conteúdo, afirmam que o diálogo é meio “chocho”, na expressão de Robinson Cavalcanti, bispo da diocese do Recife da Igreja Anglicana.

“Ao se ver como ‘a’ igreja e as demais como imperfeições, a Igreja Católica gera uma grande irritação. Além disso, esse papa não tem o carisma do papa anterior, é mais tímido e introspectivo. Com rebanho e influência diminuídos e em função da própria personalidade do papa, essa visita não terá o mesmo impacto da visita anterior”, acredita Cavalcanti.

Os pesquisadores também acham que a política institucional adotada pelo Vaticano para fortalecer o catolicismo está equivocada. Num momento de crise existencial, a ordem é reafirmar a própria identidade. “Pode até aparecer a palavra diálogo, mas a realidade é a afirmação identitária. Isso, para mim, é muito claro”, afirma Faustino Teixeira.

O grande desafio, segundo ele, seria romper com essa imagem de que a Igreja Católica é a única possibilidade de salvação, a única religião verdadeira, e tentar conviver com a riqueza da diferença. “Mas a tendência tem sido de afirmação da identidade diante do temor do pluralismo.”

O ouvidor da PUC-SP concorda que pode, sim, haver outros caminhos que levem a Roma. “Se a pessoa quer encontrar Deus na Assembléia de Deus, na Sinos de Belém, até na Universal do Reino de Deus, qual é o problema? Deus não é propriedade de nenhuma igreja.”

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Nove minutos para entender tudo sobre a Web 2.0! Encontrei no É-Blog. Inspirador.

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Eu acho que não, apesar do “site oficial da visita” dizer que o rabino Henry Sobel foi convidado para um encontro ecumênico com o Papa, na ocasião da visita à São Paulo, em maio.

Mas agora o Brasil viu no Jornal Nacional que o presidente da Congregação Israelita Paulista, Henry Sobel, é acusado de roubar gravatas de grifes famosas em uma loja em Palm Beach, nos EUA.

É claro que Sobel vai virar piada… Ele tem um sotaque engraçado: é filho de belgas, português de nascimento, mas cidadão americano e tem 36 anos de Brasil. Mas ele não merece piadinhas.

Ele é desses religiosos que lutam pela paz, pela fraternidade entre as religiões, que se empenha sempre na aproximação de judeus e católicos e que protestou contra o suposto suicídio de Wladmir Herzog, no período da ditadura militar. Também apoiou a família do Titã Marcelo Fromer quando o guitarrista esteve em coma, antes de morrer.

Sobel é o representante
mais famoso da comunidade de 160 mil judeus do Brasil… Mas, de acordo com o JN, foi pego roubando gravatas!

Os judeus mataram Jesus. Mas nada justifica o anti-semitismo, o racismo contra os judeus. E isso não foi uma ironia, juro! Muito menos anti-semitismo, juro de novo. Inclusive a CNBB é autora do Guia para o diálogo Católico-Judaico no Brasil.

E o que é isso tudo, afinal? Cito as palavras do rabino Sobel: “Alguém está querendo criar um escândalo”.

Ele diz que é inocente. Eu gostaria de acreditar, mas deu no Jornal Nacional… :) Deu na Folha de S.Paulo … E agora?

Ok. É claro que, inconscientemente, a gente acredita em qualquer coisa que o JN ou a Folha disserem. É mais forte que nós! Mas não sei se eles teriam tanta ousadia para desqualificar alguém como o Sobel. Não que eu seja fã… Mas o rabino tem méritos próprios.

Até acho possível que haja uma armação. Roubo de gravatas? Isso não influencia em nada a opinião pública sobre os líderes do judaísmo… Encontro com o Papa? Isto sim é algo que dá motivos para muitas ações.

Ah… Os amigos que fazemos por conta da religião não são iguais a nenhum outro tipo de amigos. É o que sempre dizemos em nossos encontros espirituais, quando nos permitimos um pouco do politicamente incorreto. O que evitamos dizer é que também os inimigos, que fazemos pelo mesmo motivo, não se comparam a nenhum outro tipo de inimigos! E acredito que, como todo homem religioso, Henry Sobel tenha os seus inimigos religiosos…

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
Post Scriptum: A Igreja confirmou a presença de Sobel no encontro com o Papa. Leia a notícia.

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Eu não enxergava

Dia 28 de março de 2007. Nesse dia comecei a enxergar o mundo com suas cores vivas e letras ao longe. Especialmente as letras ao longe… Decidi acreditar que tenho astigmatismo. Eu que via tudo, que lia tudo e nada me passava despercebido, eu não sabia, mas agora percebo que não via!

O primeiro teste foi a placa da farmácia, da janela do escritório em que estagio… Lá, ao longe, o nome e a marca. Com os óculos: o nome, a marca e o telefone! “Então quer dizer que tinha um telefone na placa?” Tinha.

E tinha mais: linhas mais definidas, cores menos confusas com aquele “esfumaçado” do horizonte. Aliás, o próprio horizonte não era um “esfumaçado” só como pensava… Existem mais linhas no horizonte! Da janela eu via os monstros de ferro das usinas de pelotização da Vale. Com os óculos eu vi o contorno dos tais monstros.

Foi incrível! O horizonte tem contornos bem definidos. Por essa eu não esperava… Era como ter nas mãos a Espada Justiceira e ver por meio do Olho de Thundera, visão além do alcance.

Mas nem tudo é perfeito… No mesmo dia quase caí por duas vezes dos degraus do ônibus. Parece que tudo fica mais perto! Eu “vi” que já pisava o chão, mas ainda estava longe.

Andar na grama também é diferente. Tenho a impressão que fiquei menor! Por medo de tropeçar, agora ando ridículo, com passos largos para ter certeza que posso tirar o pé da grama sem que ela esconda-os.

Eu leio tudo. Os meses do ano, por exemplo, no calendário do banheiro da minha casa, eu leio! Antes, precisava escolher: ou lavava as mãos ou lia o calendário. Achava normal! Afinal, quem lavaria as mãos e leria o calendário ao mesmo tempo? Sobrenatural. Agora eu faço tudo ao mesmo tempo!

E brinco como criança ao tirar e colocar os óculos: “com contorno… sem contorno… com contorno… sem contorno…”.

Isso me fez pensar em Deus. Acho que ele deve ter algum óculos parecido com os meus! Deus não nos vê no “esfumaçado” do nosso erro, do pecado… Acho que não! Digo por experiência própria.

Também pensei em quem não acredita tanto em Deus. E quase, por pouco, fico mais compassivo. O mundo deve ser como eu era: acha que vê, mas não vê nada. De repente as pessoas que se revoltam com os valores da Igreja, por exemplo, apenas são pessoas que olham tudo esfumaçado e acham que olham bem, que sabem mais e sabem que tudo o mais é obscurantismo.


Meu desejo
é que todos possam desconfiar que onde há “esfumaçado” há algo errado. Mesmo que seja ao longe, mesmo que nem pareça ser algo de importância pessoal. Desejo que desconfiem, ponham óculos e vivam. É bom ver o mundo, de verdade.

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Anjos cantam para Bento XVI

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Estão dizendo que a banda “Anjos de Resgate” vai tocar no Pacaembu, dia 10 de maio, durante a visita do Papa ao Brasil. Estão dizendo também que a banda religiosa assemelha-se à banda mineira “Jota Quest”.

Muito bem! Mas eles estão mais para um “Roupa Nova” com tendências à “Bee Gees” (shalalalalá…). Agora, tudo isso com músicas que – bom… – falam da doutrina católica e sustentam mensagens e exortações dos Papas.

Nada a ver com padre Zezinho… A música de “Anjos de Resgate” não lembra em nada os discos que só tocam no natal, na páscoa, no dia das mães ou no dia dos pais celebrados pelas famílias católicas brasileiras. “Anjos” é banda de show, de DVD, não perde em nada para os grupos musicais que tocam nas FMs. Aliás… Às vezes é tão parecida com eles que nem sabemos para onde foi parar o slogan “banda católica”. Auto-ajuda e romantismo não é catolicismo… Mas há um grande número de pessoas (mais um: eu!) que se agrada do estilo.

Na verdade uma banda é uma banda. E o conceito de banda não rima com catecismo! Catequizar, aliás, não é a meta de nenhuma das bandas católicas do estilo de “Anjos”. A proposta, hoje, é “evangelizar”, apresentar Cristo ao jovens sem necessariamente falar de “divórcio”, de “hierarquia” ou “castidade”. Evangeliza é cantar, por exemplo, “Foi por Você“, uma música de autoria do vocalista de “Anjos”, Dalvimar Gallo, 39 anos – músico profissional, compositor do hit sertanejo “Alô Galera de Cowboy” na época em que não era católico carismático.

A música “Foi por Você”, pasmem os incrédulos, é fruto de uma visão do vocalista. Sim, Dalvimar viu o Senhor no meio de um jardim. Jesus contou-lhe que, na crucifixão, suas chagas não derramavam sangue, mas amor. E a visão virou música e depois deu um relato no primeiro DVD da banda.

O vocalista é um vidente. Exatamente! Mas isso não causa qualquer furor em um meio em que ter visões de Cristo e seus santos é algo comum. Os cantores e bandas católicas carismáticas que arrastam multidões defendem uma pureza musical baseada na experiência mística, o que inclui não só as devoções de praxe, mas visualizações e “audições” do sagrado por meio da ação do Espírito Santo. É comum ouvir-se que as letras, a melodia, toda composição musical dessas bandas, é fruto de tal experiência.

O que Roma pensa sobre o assunto? Desde 1993 está tudo aprovado, oficialmente, pelo Pontifício Conselho para os Leigos, ligado diretamente ao Vaticano. Assim diz o estatuto internacional do movimento carismático aprovado por Roma: “[Nossa missão é] estimular o uso dos dons espirituais (carismáticos) não só no movimento de renovação carismática, mas em toda a Igreja. Estes dons, ordinários e extraordinários, são abundantemente encontrados entre os leigos, os religiosos e o clero”. (“To foster the reception and use of the spiritual gifts (charismata) not only in the charismatic renewal but also in the broader Church. These gifts, ordinary and extraordinary are abundantly found among laity, religious and clergy”.)

Vale lembrar que cabe muita coisa dentro de “estimular os dons espirituais”. Não há notícias de que o Papa tenha visões e outras experiências semelhantes às dos cantores carismáticos… Mas também não há notícias de que o Papa não tenha tais experiências. Porém… Há um estatuto aprovado por Roma e os carismáticos adoram saber disso, enquanto a CNBB simplesmente prefere ignorar (vide o – argh! – Documento 53).

Confirmando-se o show, quem estiver por lá provavelmente vai cantar o hit “Amigos pela fé“. A música tem um apelo emocional forte, do tipo amigos abraçados e chorosos… Emoção rima com evangelização, defendem as bandas católicas.

Emoção que não se resume a lágrimas! Outros grupos católicos como “Dominus” e “DDD – Doidinho de Deus” são famosos pela irreverência: o primeiro toca axé-music e o segundo faz sátiras bem-humoradas sobre os estigmas de “carolas” e “loucos” com os quais, comumente, se qualificam as posturas dos católicos carismáticos.

Banda católica protesta e Papa sorri

O sorriso de satisfação de Bento XVI será uma lembrança indigesta para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O gesto que marcou o encontro do Papa com os jovens católicos, ontem, no Pacembu, foi uma resposta simbólica ao protesto do cantor carismático, Dalvimar Gallo, que rasgou um poster com o logotipo da CNBB.

“A CNBB é uma praga!”, declarou o cantor para a multidão de jovens enquanto dividia de alto a baixo o imenso poster que tirou de dentro do violão. O presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, não quis comentar o ato.

A reportagem contactou o parapsicólogo Pe. Oscar Quevedo que, com o auxílio de paranormais, se propôs a revelar o pensamento do Papa no momento do sorriso. De acordo com o estudioso, Bento XVI comemorava um “Eu já sabia! Eu já sabia!” No entanto, o clero progressista discorda e suspeita de um erro de tradução.

Ok, chamem o Salvador Dali! Acabei de compor algo surrealista!

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Mais um mineiro…

“Os homens têm a guerra como amante, embora esposem a paz”. Quem revela é o mineiro Affonso Romano de Sant’Anna. É um poema longo e sincero. Um desejo atual por uma Igreja de guerra, porque a Igreja de paz só nos desvirtuou.

OS HOMENS AMAM A GUERRA

Os homens amam a guerra. Por isso
se armam festivos em coro e cores
para o dúbio esporte da morte.

Amam e não disfarçam.
Alardeiam esse amor nas praças,
criam manuais e escolas,
alçando bandeiras e recolhendo caixões,
entoando slogans e sepultando canções.

Os homens amam a guerra. Mas não a amam
só com a coragem do atleta
e a empáfia militar, mas com a piedosa
voz do sacerdote, que antes do combate
serve a hóstia da morte.

Foi assim na Criméia e Tróia,
na Eritréia e Angola,
na Mongólia e Argélia,
no Saara e agora.

Os homens amam a guerra
E mal suportam a paz.

Os homens amam a guerra,
portanto,
não há perigo de paz.

Os homens amam a guerra, profana
ou santa, tanto faz.

Os homens têm a guerra como amante,
embora esposem a paz.

E que arroubos, meu Deus! nesse encontro voraz!
que prazeres! que uivos! que ais!
que sublimes perversões urdidas
na mortalha dos lençóis, lambuzando
a cama ou campo de batalha.

Durante séculos pensei
que a guerra fosse o desvio
e a paz a rota. Enganei-me. São paralelas
margens de um mesmo rio, a mão e a luva,
o pé e a bota. Mais que gêmeas
são xifópagas, par e ímpar, sorte e azar
são o ouroboro- cobra circular
eternamente a nos devorar.

A guerra não é um entreato.
É parte do espetáculo. E não é tragédia apenas
é comédia, real ou popular,
é algo melhor que circo:
-é onde o alegre trapezista
vestido de kamikase
salta sem rede e suporte,
quebram-se todos os pratos
e o contorcionista se parte
no kamasutra da morte.

A guerra não é o avesso da paz.
É seu berço e seio complementar.
E o horror não é o inverso do belo
-é seu par. Os homens amam o belo
mas gostam do horror na arte. O horror
não é escuro, é a contraparte da luz.
Lúcifer é Lubel, brilha como Gabriel
e o terror seduz.
Nada mais sedutor
que Cristo morto na cruz.

Portanto, a guerra não é só missa
que oficia o padre, ciência
que alucina o sábio, esporte
que fascina o forte. A guerra é arte.
E com o ardor dos vanguardistas
frequentamos a bienal do horror
e inauguramos a Bauhaus da morte.

Por isso, em cima da carniça não há urubu,
chacais, abutres, hienas.
Há lindas garças de alumínio, serenas,
num eletrônico balé.

Talvez fosse a dança da morte, patética.
Não é . É apenas outra lição de estética.
Daí que os soldados modernos
são como médico e engenheiro
e nenhum ministro da guerra
usa roupa de açougueiro.

Guerra é guerra!
dizia o invasor violento
violentando a freira no convento
Guerra é guerra!
dizia a estátua do almirante
com a boca de cimento.
Guerra é guerra!
dizemos no radar
desgustando o inimigo
ao norte do paladar.

Não é preciso disfarçar
o amor à guerra, com história de amor à pátria
e defesa do lar. Amamos a guerra
e a paz, em bigamia exemplar.
Eu, poeta moderno ou o eterno Baudelaire
eu e você, hypocrite lecteur,
mon semblable, mon frère.
Queremos a batalha, aviões em chamas
navios afundando, o espetacular confronto.

De manhã abrimos vísceras de peixes
com a ponta das baionetas
e ao som da culinária trombeta
enfiamos adagas em nossos porcos
e requintamos de medalha
-os mortos sobre a mesa.

Se possível, a carne limpa, sem sangue.
Que o míssil silente lançado à distância
não respingue em nossa roupa.
Mas se for preciso um banho de sangue
-como dizia Terêncio:-sou humano
e nada do que é humano me é estranho.

A morte e a guerra
não mais me pegam ao acaso.
Inscrevo sua dupla efígie na pedra
como se o dado de minha sorte
já não rolasse ao azar,
como se passasse do branco
ao preto e ao branco retornasse
sem nunca me sombrear.
Que venha a guerra! Cruel. Total.
O atômico clarim e a gênese do fim.
Cauto, como convém aos sábios,
primeiro bradarei contra esse fato.
Mas, voraz como convém à espécie,
ao ver que invadem meus quintais,
das folhas da bananeira inventarei
a ideológica bandeira e explodirei
o corpo do inimigo antes que ataque.
E se ele não atirar primeiro, aproveito
seu descuido de homem fraco, invado sua casa
realizando minha fome milenar de canibal
rugindo sob a máscara de homem.

-Terrível é o teu discurso, poeta!
Escuto alguém falar.
Terrível o foi elaborar.
Agora me sinto livre.
A morte e a guerra
já não podem me alarmar.
Como Édipo perplexo
decifrei-a em minhas vísceras
antes que a dúbia esfinge
pudesse me devorar.

Nem cínico nem triste. Animal
humano, vou em marcha, danças, preces
para o grande carnaval.
Soldado, penitente, poeta
-a paz e a guerra, a vida e a morte
me aguardam
- num atômico funeral.

-Acabará a espécie humana sobre a Terra?
Não. Hão de sobrar um novo Adão e Eva
a refazer o amor, e dois irmão:
-Caim e Abel
-a reinventar a guerra.

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AIDS: Foto reportagem

crianca.jpg

O jornal Sun-Sentinel, da Flórida, publicou reportagem fotográfica (histórias visuais, como queiram…) sobre crianças órfãs, vítimas da AIDS no Caribe e na Flória. A reportagem tem 4 partes principais e, entre outros assuntos, questiona a falta de inclusão das crianças cujos pais tem HIV, no programas de prevenção e tratamento da doença. Além disso, mostra a iniciativas das avós na criação dos netos sem pais e também conta como cidadãos comuns criam orfanatos para abrigar essas crianças.

A reportagem cita, ainda, como os mitos e o preconceito impedem o tratamento dos pais e das crianças. Nas comunidades carentes do Caribe, por exemplo, é muito comum, de acordo com o jornal, a crença de que a epidemia se propaga pelo simples contato físico ou pelo ar. Isto torna o tratamento das crianças, e de seus pais, mais complicado, pois o preconceito inibe muitas famílias na procura pelos medicamentos oferecidos pelo governo.

Está tudo em inglês, mas vale a pena conhecer ao menos as imagens. Sensibilizam sem ultajar os personagens, sem fazer sensacionalismo. Fazem pensar. É só clicar: Aids Orphans.

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Missão cumprida!

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Este aí na foto é o Dinho, o labrador da Polícia Federal que se aposentou ao completar dez anos de idade. A última missão do danado foi no Rio Grande do Sul, sexta passada, quando ele encontrou 19 kg de cocaína escondidos em um carro! Por conta disso 22 pessoas foram presas. Mas taí, tinha que ser um labrador mesmo… Cachorrinho inteligente do tio!

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Pra todo mundo amar

Semana nova a caminho… Um poema sobre o amor:

“Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito
é o mesmo que cravar uma faca no peito.
Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:
não amar é sofrer; amar é sofrer mais!”

Juca Mulato – Menotti Del Picchia

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Na manhã de sábado, 24, uma multidão foi até a praça da Sé, em São Paulo/SP, protestar contra o projeto de lei que legaliza o aborto no Brasil. O Padre Marcelo Rossi esteve ntre os presentes no movimento ecumênico.

Eu gostei. Acho só que precisam aprender a fazer cartazes com o movimento pró-vida dos Estados Unidos! Eles são mais criativos!! Mas essa foi só a primeira manifestação do tipo, no Brasil, referente ao projeto em trâmite na Câmara dos Deputados, que permite o aborto até o 9º mês de gravidez.

Quem não viu, vê agora. O Portal G1, da Globo, traz o vídeo da notícia divulgada pelo Globo Notícias. Teve helicóptero!

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